A Polícia Civil de São Paulo faz operação na manhã desta quarta-feira (21) contra Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base, Mara Casares, ex-mulher de Julio Casares, presidente afastado do clube, e Rita Adriana, ex-diretora feminina, cultural e de eventos, em investigação contra esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbis, estádio do São Paulo Futebol Clube.
São cumpridos quatro mandados de busca e apreensão.
Nos endereços ligados a eles, foram encontrados dinheiro, documentos e anotações.
Renata Adriana não foi encontrada em seu endereço. Seus filhos, que estavam no local, informaram que ela mora atualmente em outro endereço. No local, porém, a polícia diz ter apreendido anotações de interesse da investigação.
Na residência de Mara Casares foram apreendidos R$ 20 mil em espécie, além de “farta documentação” e um computador.
A polícia não encontrou Douglas Schwartzmann em casa. As equipes descobriram que ele está fora do país. Os filhos dele receberam os policiais, que fazem buscas no momento.
A assessoria do clube afirmou à Folha que o time é vítima e vai contribuir com a investigação.
“O São Paulo Futebol Clube é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”, declarou.
O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou na sexta-feira (16) o afastamento de Julio Casares da presidência do clube. Na votação do impeachment, 188 conselheiros votaram contra sua permanência no cargo. Foram 45 votos pela rejeição do pedido e dois em branco.
A queda de Casares é consequência do derretimento de seu capital político, provocado por uma série de escândalos que abalaram a gestão. O vice-presidente Harry Massis Junior, 80, assume o cargo interinamente.
O pedido de destituição, protocolado em 23 de dezembro, tem como base a suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbis durante shows.
Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios que indicariam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos de um camarote reservado à presidência em dias de eventos musicais no estádio.
Após a divulgação do material, Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto do futebol de base, se afastaram de seus cargos.
Nas últimas semanas, enquanto o caso do camarote ganhava repercussão, a Polícia Civil já mantinha um inquérito aberto, com frentes de investigação distintas: uma sobre supostas irregularidades no departamento de futebol e outra relacionada às contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.
A Polícia Civil apura, por exemplo, o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro nas contas pessoais do dirigente. Outra linha de investigação tenta esclarecer a realização de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões.
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf “têm origem lícita e legítima, compatível com a evolução da capacidade financeira” do dirigente.
Segundo a defesa, antes de assumir a presidência do São Paulo, Casares ocupou cargos de alta direção na iniciativa privada, com remuneração elevada. A origem dos recursos, afirmam os advogados, será esclarecida ao longo das investigações, com a apresentação de documentos e declarações fiscais.
Autor: Folha






