quinta-feira, janeiro 22, 2026
20.2 C
Pinhais

Por que frequento o mesmo bistrô há 25 anos – 22/01/2026 – Isabelle Moreira Lima

Ao refletir onde gostaria de tomar uma taça de vinho para comemorar o aniversário de São Paulo, me pareceu óbvio ir ao La Tartine.

Seria uma comemoração dupla: neste ano o pequeno bistrô francês —bistrô mesmo, que respeita o conceito de restaurante familiar, sem frescura e acolhedor— faz 30 anos.

O La Tartine é um fenômeno. Frequento o lugar há 25 anos e posso dizer que é um dos mais confiáveis e consistentes da cidade. É a mesma equipe eficiente e prestativa (os incansáveis Miro e Antonio no salão e a adorável Josi recebendo quem chega), o cardápio com os mesmos clássicos franceses, das quiches (se nunca foi, prove a de queijo de cabra) ao boeuf bourguignon, e a mesma decoração há tantas décadas. Chegamos lá e somos teletransportados ao que poderia ser um dos tantos cenários da festa móvel descrita por Ernest Hemingway.

Mas o que me fez escolher este endereço para o meu brinde no aniversário paulistano tem mais a ver com seu valor sentimental. Foi lá que comecei a acumular lentamente minha litragem, onde sorvi minhas primeiras taças de Côtes du Rhône, onde passei da insegurança total a algum conhecimento sobre regiões produtoras. E isso tudo por um valor que eu podia pagar.

O bom preço continua uma marca do LaTa —como meus amigos carinhosamente o chamam. É por isso, aliás, que tantos jovens (como eu um dia) escolhem a casa como cenário para se engajar na educação enófila —bem como na amorosa. Desde que abriu, o La Tartine é perfeito para um date em que se apostam fichas, mas sem tanta pressão.

É um lugar amigável e seguro também para montar uma mesa grande de amigos e pedir garrafas e mais garrafas de vinho. O salão de cima acomoda bem e, no final, ninguém sai com a sensação de ter levado uma facada no bolso: as taças começam em R$ 24 (caso do espumante Salton) e as garrafas em R$ 98, como o alentejano Monte da Raposinha tinto.

No La Tartine, vi uma das cenas de restaurante mais divertidas da vida, dois meninos de cerca de 12 anos se esbaldando sozinhos com escargots e suco de laranja. Também vi minha vida andar: reclamei do trabalho e comemorei vitórias profissionais, celebrei aniversários e lançamentos de livros dos amigos, vi um namoro se desfazer e um casamento se erguer. E, claro, apenas vivi: enchendo a pança depois do cinema, observando divertidamente celebridades que jantavam por ali, jogando conversa fora e provando uma tacinha aqui, outra acolá. Para que servem, afinal, os bons restaurantes?

Vai uma taça?

Com a quiche de queijo de cabra do La Tartine, que pode ser pedida no delivery e salvar um jantar de última hora, sugiro o espanhol Torres Celeste Verdejo 2024 (R$ 149 na Berkmann), que é salgadinho, tem boa acidez e sai do comum. Já com a lorraine, o rosado chileno Adobe Reserva Rosé (R$ 79 na Vino Mundi), fresco e redondo, casa melhor.

Para o boeuf bourguignon, o francês Taparas Côtes du Rhone Rouge 2023 (R$ 157 na Wines4U) é exuberante e tem os taninos ideais. Para o steak au poivre, o chileno Santa Carolina Aniversário 150 Anos (R$ 166 na Casa Flora) um corte encorpado de petit syrah, malbec e carmenère, faz bonito e impressiona. E, para brindar os aniversários de SP e do LaTa, vale abrir o espumante Chandon Blanc de Noir Pinot Noir (R$ 179 na Evino), que é superelegante, com acidez nas alturas e bom corpo.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Autor: Folha

Destaques da Semana

governo tentará aplicar acordo UE-Mercosul em meio à discussão judicial

O governo brasileiro decidiu nesta quinta (22) manter o...

MA: Justiça autoriza que primo participe de buscas por irmãos desaparecidos

A Justiça do Maranhão autorizou, nesta quinta-feira(22), o menino...

O escândalo do resort que cerca Dias Toffoli

Este episódio do Podcast 15 Minutos detalha denúncias de...

Temas

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas