Em um cenário marcado por guerras, polarização e desconfiança nos políticos, uma figura se destaca por conquistar, rapidamente, uma imagem positiva em escala global: o Papa Leão XIV.
Segundo o levantamento End of Year Survey (“Levantamento de Fim de Ano”), realizada desde 1977 pela tradicional empresa de pesquisas Gallup Internacional, o primeiro pontífice americano da História é hoje o único líder com aprovação maciça em todo o planeta.
Considerada a pequisa sincronizada de opinião pública mais abrangente do mundo, a End of Year Survey de 2025 ouviu 64 mil entrevistados, em 61 países, entre outubro e dezembro. Segundo o estudo, o Papa Leão XIV registra 49% de aprovação contra 25% de desaprovação — um “saldo líquido” de 24 pontos, que faz dele o líder global mais bem avaliado.
A título de comparação, nomes como Donald Trump e Vladimir Putin têm desempenho negativo (-31 e -41 pontos de saldo, respectivamente). Além disso, o papa mantém uma imagem positiva em 51 dos 61 dos países onde o levantamento foi realizado — um alcance considerado raro no panorama atual.
Outra pesquisa de 2025, feita pela Gallup apenas nos Estados Unidos, comparou a imagem de 14 figuras públicas e novamente confirmou a popularidade de Leão XIV. O pontífice teve 57% de avaliação favorável e apenas 11% negativa — um saldo de 46 pontos positivos.
Atrás dele aparecem o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky (+18) e o senador de esquerda Bernie Sanders (+11), os únicos outros nomes com saldo positivo. O bilionário Elon Musk (-28) e e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (-23) registraram os piores índices.
“Novidade histórica”
“A autoridade moral do papa atravessa fronteiras de um modo que o poder político simplesmente não consegue”, afirma a Gallup International em seu relatório, ao apontar por que o pontífice é mais popular do que presidentes e primeiros-ministros.
Enquanto os políticos precisam lidar com inflação, denúncias de opositores e reformas impopulares — o que desgasta qualquer imagem —, o papa atua no campo moral e simbólico. Sua autoridade é percebida como espiritual, não ideológica.
Os analistas ainda destacam dois fatores que explicam a aprovação de Leão XIV. Uma delas é a curiosidade despertada “pela novidade histórica” de sua origem norte-americana.
A outra, e principal, está na sua capacidade de combinar um discurso de unidade com a reafirmação dos princípios católicos essenciais — uma fórmula que vem funcionando desde sua ascensão ao papado, em maio de 2025.
Imune à polarização
O desempenho de Leão XIV segue um padrão já observado antes nas pesquisas da Gallup nos Estados Unidos.
Quando assumiu o pontificado, em 2013, o Papa Francisco começou com 58% de aprovação entre os americanos. O Papa Bento XVI, em 2005, largou com 55%. Agora, Leão XIV aparece na mesma faixa.
Entre os católicos dos EUA, ele atinge 76% de avaliação positiva — um pouco abaixo dos 80% que Francisco registrava no início, mas ainda assim um índice expressivo.
Há, no entanto, uma mudança interessante. No começo de seus pontificados, Bento e Francisco eram mais populares entre conservadores. Leão inverte esse retrato: hoje ele tem aprovação maior entre progressistas (65%) do que entre conservadores (46%) — algo parecido com o que acontecia com Francisco no fim de seu pontificado.
Mesmo assim, existe um outro dado que chama a atenção: Leão XIV é o único nome bem avaliado entre republicanos, democratas e independentes. Em tempos de polarização intensa nos EUA, isso é um feito notável.
Para os analistas, o motivo é claro: muitos enxergam no novo papa uma continuidade tanto nas pautas religiosas quanto nas sociais, sem rupturas bruscas no rumo da Igreja.
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Autor: Gazeta do Povo








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