Os moletons estão ficando cada vez mais na moda (e mais caros), com mangas bufantes, comprimentos cropped e modelos com zíper até o peito. Será que eles realmente podem ser usados em um look elegante para o trabalho? E, caso sim, qual a melhor maneira de usá-los?
Entre a ascensão explosiva do streetwear, a tendência de produtos licenciados de celebridades e o ressurgimento do luxo discreto, o moletom, antes uma peça básica do guarda-roupa, passou por uma evolução em velocidade vertiginosa.
Esta é, segundo a GQ , “a era de ouro dos moletons com capuz”, com um modelo para praticamente cada personalidade e ocasião —a revista tem um correspondente dedicado a moletons, de tanto que fala sobre a peça.
Há pouco tempo, estive numa apresentação da marca Fear of God e me vi desejando muito um moletom com gola alta falsa, que parecia ser exatamente o tipo de moletom que Audrey Hepburn usaria se fosse fã de moletons. Na época dela, obviamente, ela não era. Mas talvez fosse agora.
Se existem moletons que podem ser usados no trabalho é outra história. Como sempre, depende da função e da mensagem que você quer transmitir. Os códigos de vestimenta no escritório têm tanto a ver com grupos de colegas e sinalizam a sua posição (ou o seu desejo) na hierarquia quanto com o estilo em si.
Um moletom é praticamente a última fronteira do estilo business casual, me disse um amigo que trabalha em uma empresa de tecnologia. Mas, recentemente, a ênfase tem sido mais no aspecto profissional e menos no casual, disse. Isso se torna ainda mais evidente agora que há mais pressão no mercado de trabalho e as pessoas querem parecer sérias e empregáveis.
Goste você ou não, e por mais sofisticados que sejam, os moletons são essencialmente associados a um estilo casual e jovem. Até mesmo com um toque estudantil, assim como a mochila. Geralmente não são associados a um estilo corporativo, mesmo que tenham o logotipo de uma empresa na frente.
Joseph Rosenfeld, um consultor de estilo pessoal que trabalha com executivos tanto na Costa Oeste quanto na Costa Leste, diz praticamente a mesma coisa.
“Quando se trata de moletons, não me concentro se são ‘luxuosos’ ou ‘de grife'”, afirma. “Observo se eles comprometem a autoridade no contexto em que o usuário os utilizaria. O comportamento padrão de um moletom é dissolver a estrutura. Na maioria dos contextos profissionais, isso prejudica a clareza, a confiança e o discernimento, especialmente para pessoas em cargos de visibilidade ou de liderança.”
A verdadeira pergunta que você deve se fazer, diz Rosenfeld, não é “Posso usar isso?”, mas sim “Se quero abrir mão da autoridade visual de propósito, o que pretendo comunicar no lugar dela?”
Talvez você queira sinalizar sua participação em um grupo ou departamento. Segundo minha amiga, as únicas pessoas na empresa dela que usam moletons são os engenheiros ou programadores, e isso serve tanto como uma pista visual do que eles fazem e a que pertencem, quanto como uma questão de gosto pessoal.
Mark Zuckerberg, talvez o usuário de moletom mais famoso (pelo menos além do senador John Fetterman), usava-os em parte para sugerir que “ele prioriza sua produção intelectual em detrimento da apresentação pessoal”, diz Rosenfeld.
Além disso, continua ele, “ele detém tanto poder que pode até tentar neutralizá-lo em vez de projetá-lo. É uma demonstração de força sem nenhum esforço.”
Mas, segundo ele, isso só funcionaria “para as pouquíssimas pessoas que, como ele, têm um nível de autoridade incontestável”. Note-se, contudo, que até mesmo Zuckerberg deixou de lado o moletom e passou a adotar um guarda-roupa mais convencional.
Se você quer usar um moletom no escritório, é fundamental combiná-lo com peças mais elegantes. Use-o com calças de alfaiataria, um blazer, sapatos sofisticados e joias elegantes. O objetivo é fazer com que pareça o menos possível com um moletom —o que pode exigir mais… bem, mais trabalho do que vale a pena.
Autor: Folha








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