No centro de uma disputa entre construtora, comunidade local, ambientalistas e a Prefeitura de São Paulo, encontram-se 384 árvores localizadas na avenida Guilherme Dumont Villares, no Butantã, zona oeste da capital paulista.
A empresa Tenda busca erguer no local quatro torres com nove andares cada, totalizando mais de 700 apartamentos. Por meio de um Termo de Compromisso Ambiental, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia autorizado a derrubada das árvores, entre elas 128 nativas, sob protestos de moradores.
A derrubada das árvores deve ser interrompida. Em boa hora, foi essa a decisão liminar da 4ª Vara da Fazenda Pública na sexta-feira (28), dois dias depois do início do corte pela construtora.
Provocado por parlamentares do PSOL, o Ministério Público de São Paulo acionou o Poder Judiciário alegando que o processo administrativo que levou ao acordo entre construtora e prefeitura havia desrespeitado a necessidade de consulta pública, além de violar o meio ambiente.
Apesar de o acordo prever garantias de compensação, o processo se deu de forma apressada, sem a devida consideração de demandas locais e proteção ambiental. Prometem-se o plantio de 221 mudas de espécies nativas na mesma região e a doação de cerca de R$ 2,5 milhões ao Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Sem a ampliação de áreas verdes, a maior metrópole do país já caminha, segundo especialistas, para o aumento das ilhas de calor em seu território, agravando o impacto local da crise climática.
Não se trata do primeiro caso do tipo na gestão Nunes. No Alto da Lapa, também na zona oeste, moradores têm protestado contra a retirada de 118 árvores no chamado Bosque dos Salesianos para a construção de prédios residenciais no local.
“Larga de ser babaca” foi a reação do prefeito a um manifestante contrário ao projeto no início do mês, revelando o estado de ânimo das autoridades locais com vozes dissonantes, enquanto grassa a expansão imobiliária.
Reduzir a preservação da vegetação a um ambientalismo pueril, como parece fazer a administração Nunes, é um desfavor à ciência. Pesquisas apresentam evidências de que mesmo áreas verdes pequenas contribuem para a melhoria da qualidade do ar em centros urbanos.
Se é legítimo que construtoras queiram erguer edificações e que moradores protestem, cabe à gestão municipal moderação no planejamento da política pública para proteger o ambiente de todos.
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