Após assembleia extraordinária, categoria decide não parar as atividades nesta segunda-feira (23). Professores e funcionários aguardam propostas do Governo Ratinho Jr. até 4 de abril e prometem vigília na ALEP
Professores e funcionários da rede estadual de ensino do Paraná decidiram suspender o início da greve que estava previsto para esta segunda-feira (23), mas mantiveram o estado de greve e a continuidade das mobilizações. A decisão foi tomada em assembleia estadual extraordinária on-line realizada na manhã de sábado (21), convocada pela APP-Sindicato.
A suspensão ocorre após a categoria apontar avanços nas negociações com o governo estadual, especialmente na abertura de mesas de diálogo sobre a campanha salarial de 2026. Segundo a direção sindical, o Executivo se comprometeu a encaminhar propostas sobre os principais pontos da pauta para votação na Assembleia Legislativa até o dia 4 de abril.
A presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, afirmou que a decisão representa um recuo estratégico, sem abandono da mobilização. “Arrancamos do governo a instalação de mesas de negociação e a confirmação de que propostas para os itens centrais da nossa pauta serão encaminhadas para votação dos deputados até o dia 4 de abril. Avaliamos que é um avanço importante, fruto da luta intensa que estamos fazendo por justiça salarial. Por isso, estamos suspendendo o início da greve, mas mantendo o estado de greve e as mobilizações”, declarou.
A dirigente destacou ainda que a diretoria do sindicato poderá convocar uma nova assembleia a qualquer momento, caso o governo não cumpra os compromissos anunciados. Também foram confirmadas novas reuniões com a Casa Civil na próxima semana. A categoria foi chamada a participar da “Vigília por Justiça Salarial”, marcada para segunda (23) e terça-feira (24), na Assembleia Legislativa do Paraná.
Principais reivindicações
Entre os pontos centrais da pauta estão a reposição das perdas inflacionárias (data-base) para servidores da ativa e aposentados, a reformulação da carreira do magistério com equiparação salarial e a correção das tabelas salariais. Também estão incluídas demandas específicas dos funcionários de escola, como enquadramento por tempo de serviço.
No caso dos aposentados, os educadores reivindicam reposição salarial para todos, criação de uma lei que assegure correção específica para quem não tem paridade e a limitação do desconto previdenciário apenas para valores acima do teto do INSS, atualmente em R$ 8.475,54.
Outras reivindicações incluem o pagamento de promoções e progressões e o descongelamento de quinquênios e anuênios, suspensos durante a pandemia de Covid-19.
Data-base segue indefinida
A data-base é considerada uma das principais demandas da categoria. Segundo a APP-Sindicato, o governo confirmou que haverá reposição, mas ainda não definiu o índice de reajuste. O tema segue em negociação.
A entidade defende que o percentual seja superior à inflação acumulada nos últimos 12 meses e que o Estado assuma o compromisso de quitar perdas de anos anteriores. A medida impacta diretamente, inclusive, cerca de 15 mil aposentados da educação que estão sem reajuste há anos.
Carreira e salários de professores
Os professores também cobram a equiparação da tabela salarial com a aplicada a outros servidores com nível superior e a reformulação da carreira. Um dos pontos levantados é a dificuldade de progressão para docentes que não conseguem acesso ao Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE).
De acordo com a direção sindical, o governo sinalizou que irá encaminhar um projeto de lei tratando do salário do magistério. “Nós já apresentamos a nossa proposta. Agora, vamos discutir a contraproposta do governo”, afirmou Walkiria.
Situação dos funcionários de escola
Para os funcionários, a reformulação da carreira dos agentes I está em estágio avançado e pode ser anunciada nos próximos dias. Já a reestruturação da tabela dos agentes II ainda depende de aval da Secretaria de Estado da Educação (Seed).
Outro ponto em discussão é o enquadramento por tempo de serviço, que também aguarda avanço nas negociações. “Estamos pedindo nova mesa para debater este tema, para corrigir as injustiças e distorções”, disse a presidenta do sindicato.
Aposentados e previdência
No caso dos aposentados, além da reposição inflacionária, está em debate a criação de uma legislação específica para garantir reajustes aos que não possuem paridade.
Já a proposta de redução do desconto previdenciário enfrenta resistência do governo estadual. O tema também está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), com julgamento ainda não concluído.
Promoções e avanços funcionais
O governo também já sinalizou que pretende atender reivindicações relacionadas ao descongelamento de quinquênios e anuênios, além do pagamento de promoções e progressões. As medidas estão sendo discutidas no âmbito do Fórum das Entidades Sindicais (FES), que deve definir a forma de implementação.
Diante do cenário, a categoria mantém a mobilização ativa e condiciona uma eventual greve ao avanço ou não das negociações nas próximas semanas.
Autor: Agencia Paraná








.gif)












