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Prontuário de vítima do DF mostra nível de potássio maior – 22/01/2026 – Equilíbrio e Saúde

O prontuário médico do servidor público João Clemente Pereira, 63, aponta que a taxa de potássio encontrada em seu organismo chegou a ficar três vezes acima do valor máximo aceitável. Ele é um dos três pacientes mortos no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).

Segundo as investigações e relatos feitos à família, o nível anormal teria sido provocado pela aplicação de um medicamento, que aumenta o nível de potássio no organismo, administrado por três técnicos de enfermagem, presos sob suspeita de envolvimento nos casos.

Após a divulgação das prisões, ao menos seis famílias procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal para relatar mortes consideradas suspeitas ocorridas no mesmo hospital.

Além dele, os técnicos teriam feitos mais duas vítimas: Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75. Os investigadores dizem acreditar que pode haver mais mortes ligadas aos suspeitos no próprio hospital e em outras instituições nas quais atuaram, tanto na rede pública quanto privada.

De acordo com a família, João Clemente Pereira sofreu quatro paradas cardíacas. No dia 17 de novembro, durante as três primeiras, o referencial de potássio registrado foi de 14,9. Já na quarta parada, que aconteceu na madrugada do dia seguinte e levou ao óbito, o referencial foi de 7,5.

Segundo Miguel Antônio Moretti, membro do Conselho Administrativo da Sociedade Brasileira de Cardiologia e médico assistente do InCor, o potássio é um eletrólito fundamental para o funcionamento do organismo, especialmente do coração. O valor considerado aceitável no organismo humano varia entre 3,5 e 5 mmol/l.

No entanto, quando os níveis de potássio no sangue se elevam de forma excessiva —quadro conhecido como hipercalemia— podem ocorrer distúrbios graves do ritmo cardíaco, levando à parada cardíaca e risco de morte súbita.

“A elevação do potássio costuma estar associada a condições clínicas específicas, como insuficiência renal, distúrbios hormonais, algumas situações relacionadas ao diabetes ou uso inadequado de suplementação. Por isso, trata-se de uma substância cujo manuseio clínico exige extremo cuidado e controle rigoroso em ambiente hospitalar”, disse.

Valéria Leal Pereira, 29, filha de João Clemente, explica que o pai deu entrada no hospital Anchieta no dia 4 de novembro queixando-se de tontura e dor de cabeça. Ele mesmo dirigiu até a unidade de saúde, conversando e totalmente consciente.

Após exames, foi diagnosticado com um coágulo cerebral, necessitando de uma cirurgia de drenagem de emergência. Embora a cirurgia na cabeça tenha corrido bem, João enfrentou complicações durante a intubação, que exigiram quatro anestesistas e três tentativas de ser entubado. Esse incidente fez com que ele permanecesse na UTI até o dia de seu falecimento.

No dia 17 de novembro, após 13 dias de internação, João sofreu três paradas cardíacas consecutivas. Segundo a filha, os médicos não conseguiram explicar o motivo, já que o paciente não possuía cardiopatias.

Na madrugada de 18 de novembro João Clemente não resistiu à quarta parada cardíaca e morreu. O atestado de óbito registrou causas como infarto, septicemia e hipertensão.

A família só descobriu a verdade na última semana, após serem chamados no hospital para uma conversa com membros da diretoria e da advocacia do hospital. Lá eles informaram que um funcionário havia administrado uma injeção letal.

A investigação apontou que o criminoso fraudava o sistema do hospital para prescrever a medicação de alto risco.

A família acredita que houve falhas nos protocolos de segurança: a medicação, que deveria ter dupla checagem por dois profissionais da farmácia, foi manuseada por uma técnica de enfermagem que nem sequer pertencia ao setor da UTI.

“Um hospital deveria zelar pela segurança do paciente. A gente entregou o nosso pai ali para o hospital cuidar e a gente esperava que ele fosse zelar pela saúde dele, não que fosse acontecer uma coisa dessa, um crime desse”, disse.

João Clemente era descrito pela família como um homem querido, trabalhador e muito ligado aos parentes. Costumava estar presente no convívio familiar e já fazia planos para a aposentadoria. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.

A morte abalou os entes queridos, não apenas pela perda, mas pelas circunstâncias que vieram à tona semanas após o sepultamento.

“Ele sempre falou que quando aposentasse queria viajar mais com a família. Esse era um plano que foi interrompido por conta de um psicopata“, disse.

A família agora quer uma investigação profunda da Polícia Civil para identificar todos os envolvidos e as brechas que permitiram o crime. Eles buscam não apenas a condenação dos culpados, mas que o hospital responda pelas falhas processuais que custaram a vida de João Clemente.

Os advogados da família, Elias Manoel Pereira Dias e João Francisco Alves Neto, apontam o que consideram falhas graves nos protocolos adotados pelo hospital.

Entre os pontos questionados está o controle da farmácia hospitalar na dispensação de medicamentos controlados. Segundo a defesa, um dos suspeitos teria retirado a substância mais de uma vez, sem que o procedimento fosse barrado.

Eles afirmam que o inquérito policial tramita sob sigilo, o que tem restringido o acesso integral da defesa aos autos, vídeos e laudos.

Agora, os advogados buscam a habilitação formal no processo e a produção de provas para embasar uma ação de reparação civil contra o hospital, sob a alegação de negligência e falha objetiva da instituição, além de eventual responsabilidade de outros profissionais envolvidos.

O Hospital Anchieta disse, em nota, que identificou atitudes e comportamentos atípicos atribuídos a profissionais que atuavam em sua unidade e, de forma proativa, responsável e ética, levou, após investigação interna, o caso às autoridades policiais competentes.

“Trata-se de um ato criminoso, isolado e individual, praticado por pessoas que agiram à margem da ética, da medicina e da lei, dentro de uma unidade de saúde”, disse, em nota.

O hospital disse ainda que possui protocolos rigorosos de segurança, controle assistencial e compliance, além de manuais e rotinas consolidadas . Foi justamente esse conjunto de procedimentos que permitiu a rápida identificação dos fatos e o imediato acionamento das autoridades.

Autor: Folha

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