Apesar de alguma resistência nas facções mais conservadoras do movimento Maga, a voga dos psicodélicos nos Estados Unidos ganha terreno. Parece um caminho sem volta, tanto em popularidade, com milhões de usuários, quanto no front da legislação, como ocorreu com a cannabis.
Segundo pesquisa do centro Rand representativa da população norte-americana, 11 milhões de adultos (4,26% da população da faixa etária) haviam usado no ano anterior a psilocibina, psicoativo dos cogumelos Psilocybe, alcunhados de “mágicos”. É o psicodélico mais usado, seguido de MDMA (4,7 milhões) e, surpresa, outro cogumelo: Amanita muscaria (3,5 milhões), aquele com chapéu vermelho salpicado de pintas brancas.
Logo depois vêm a cetamina (3,3 milhões), LSD (3 milhões) e DMT (2,2 milhões), presente na ayahuasca. A pesquisa entrevistou 10.122 maiores de 18 anos em setembro de 2025 e incluiu perguntas sobre microdosagem, o consumo de quantidades abaixo das que deflagram a viagem psicodélica, prática que cresce em popularidade por supostamente melhorar disposição, memória e criatividade.
A tendência no aumento do consumo dessas drogas, que permanecem banidas no plano federal, decorre da retomada de estudos sobre seu potencial terapêutico, após a proibição dos anos 1970. Nem mesmo notícias negativas, como o fracasso regulatório da empresa Lykos com MDMA para tratar estresse pós-traumático, em 2024, parecem ter freado a maré montante.
Cerca de metade dos autodeclarados usuários recorreram a microdoses. Consideradas todas as substâncias pesquisadas (além das já mencionadas: mescalina, 2C-B, Salvia divinorum, ibogaína e 5-MeO-DMT), estimam-se 9,55 milhões de pessoas a optarem por essa modalidade, cuja eficácia, no entanto, ainda é objeto de controvérsia científica.
No início do governo de Donald Trump houve aumento de otimismo com a perspectiva de se aprovarem psicodélicos para tratamento, liderados por testes clínicos de fase três com psilocibina para depressão. O presidente belicista escolheu para comandar a área de saúde Robert Kennedy Jr., favorável à terapia inovadora, e chamou Elon Musk, usuário declarado, para enxugar o governo.
Musk deixou a administração, e Kennedy tem relativizado a promessa da FDA de aprovar terapias psicodélicas no prazo de um ano. O motivo seria o nariz torcido de alguns fundamentalistas do Maga, que não engolem drogas nem para tratar transtornos mentais de veteranos de guerra, vários com tendências suicidas (18 deles se matam por dia nos EUA).
Mesmo com esses refratários, legisladores estaduais seguem introduzindo projetos de lei relativizando a proibição. Boa parte do impulso tenciona ajudar ex-combatentes por meio de ibogaína e psilocibina, com propostas nessa direção em debate nos estados Califórnia, Geórgia, Missouri, Oklahoma e Utah, segundo o boletim Psychedelic Alpha.
Há também iniciativas para financiar pesquisas ou projetos-pilotos com psicodélicos (Louisiana, Connecticut, Maryland, Rhode Island, Tennessee e Vermont), para despenalizar o porte ou plantio (Michigan) ou para admitir uso médico (Minnesota). Outras ainda autorizam receitar a psilocibina da empresa Compass para depressão assim que houver licença federal para o tratamento, como se espera.
Enquanto isso, no Brasil da ayahuasca…
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Autor: Folha








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