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PT quer punir o pobre ao tolerar inflação maior

Durante as celebrações dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, o Diretório Nacional da legenda aprovou uma resolução que mostra de forma cristalina o nocivo projeto do partido para o Brasil: censura disfarçada de “combate ao ‘discurso de ódio’”, solidariedade para com ditaduras, aprofundamento do “nós contra eles” e de outros antagonismos que ameaçam o tecido social brasileiro, e concepções econômicas jurássicas, que incluem até mesmo a tolerância com a inflação.

“É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”, afirma o documento, no mesmo item em que ataca o Banco Central, afirmando que este é o “momento de reduzir a taxa de juros”. A política monetária do BC é considerada “instrumento de bloqueio ao projeto eleito nas urnas, aprofundando a financeirização da economia, drenando recursos públicos e restringindo o investimento produtivo” – isso apesar de toda a atual diretoria da autoridade monetária, incluindo o presidente Gabriel Galípolo, ter sido apontada por Lula.

Tolerar uma inflação mais alta não é apenas ignorância econômica: é crueldade para com os mais pobres, exatamente aqueles que o PT tanto diz defender

O documento não diz, mas, dado todo o histórico petista, é improvável que o partido defenda revisar para baixo a meta de inflação. No início de seu mandato, em 2023, quando a meta do Conselho Monetário Nacional ainda era de 3,25% ao ano (hoje, é de 3%), Lula questionou, em entrevista: “[Roberto Campos Neto, então presidente do BC] quer chegar à inflação padrão europeu? Não. Nós temos que chegar à inflação padrão Brasil” – e acrescentou: “uma inflação de 4,5% no Brasil, de 4%, é de bom tamanho se a economia crescer”. O raciocínio implícito é o de que, se a meta de inflação fosse um pouco maior, não seria preciso elevar tanto a Selic; isso reduziria a parte do orçamento destinada ao pagamento de juros da dívida pública, permitindo ao governo gastar mais, além de destravar investimentos do setor privado, o que por sua vez fomentaria o crescimento.

É o tipo de teoria que escancara o terraplanismo econômico petista, e que já foi testada no passado recente. A combinação entre a “nova matriz econômica” de Guido Mantega – baseada em gasto desenfreado do governo e estímulo ao consumo das famílias, e cuja aplicação começou no fim do segundo governo Lula e que se consolidou sob Dilma Rousseff – e uma redução forçada e insustentável dos juros por um BC ainda não autônomo, comandado por Alexandre Tombini, levou à pior recessão da história do país. E uma tolerância maior à inflação tem o efeito imediato de provocar a chamada “desancoragem das expectativas”, exigindo políticas monetárias mais restritivas – algo facilmente perceptível para qualquer um que leia os comunicados e atas em que o Copom explica suas decisões sobre a Selic.

Tolerar uma inflação mais alta não é apenas ignorância econômica: é crueldade para com os mais pobres, exatamente aqueles que o PT tanto diz defender. A inflação destrói o poder de compra das pessoas e, enquanto as classes alta e média têm o conhecimento e os meios para se proteger dela, aplicando o que conseguirem economizar, os pobres que mal conseguem fazer o salário ou o benefício social chegar ao fim do mês não têm outra opção a não ser observar seu pouco dinheiro valer cada vez menos e torcer para que, uma única vez ao ano, seu salário ou benefício tenha algum ganho real. O que realmente ajuda o brasileiro pobre é um governo que coloca suas contas em ordem, cuja política fiscal transmite credibilidade e que, por isso, não precisa prometer retornos tão altos. Mas a mera sugestão de responsabilidade nas contas públicas basta para causar urticária nos petistas, que votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal em 2000.

Com sua característica hipocrisia, os mesmos petistas que defendem leniência com a inflação em nome do crescimento econômico dizem, na mesma resolução, que “a estabilidade de preços sempre foi um compromisso do PT” (como se o partido não tivesse votado contra o Plano Real), e celebram uma “inflação controlada” que só está dentro do limite de tolerância da meta graças à política monetária contracionista que o partido condena, e que só é necessária porque o governo tem uma política fiscal irresponsável. Quem se preocupa com o estado das contas públicas a partir de 2027 deveria tomar essa resolução como um alerta para que não se repita o erro gravíssimo de tantos economistas que, em 2022, “fizeram o L” apesar dos sinais escancarados de que a gastança seria a tônica do terceiro governo Lula.

Autor: Gazeta do Povo

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