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Q que é monogamia unilateral em ‘Por Dentro da Machosfera’ – 04/04/2026 – Equilíbrio

Relacionamentos não monogâmicos podem assumir muitas formas, incluindo poliamor, casamentos abertos, poliamor solo, troca de casais e relacionamentos poliamorosos .

Esses temas podem ser bastante controversos. Nos últimos dias, porém, uma configuração diferente de relacionamento tem alimentado um debate online: a monogamia unilateral, ou de mão única.

É exatamente o que parece: um relacionamento em que apenas um dos parceiros tem permissão para se aventurar além da relação principal. Em “Por Dentro da Machosfera”, documentário da Netflix do cineasta Louis Theroux que explora o nebuloso universo de podcasters e influenciadores voltados para o público masculino, essa relação principal é heterossexual e a pessoa que pode se relacionar com outras é o homem.

Em uma cena que deu início a essa discussão, Theroux pede a Justin Waller, um influenciador da machosfera, que explique seu relacionamento, que ele descreve como “monogamia unilateral”. “As mulheres não querem dormir com outros homens quando amam um homem”, justifica Waller.

“A mãe dos meus filhos”, acrescenta ele, “a mulher com quem estou, não conversa com outros homens”.

Especialistas em relacionamentos dizem que é possível um relacionamento assimétrico: em qualquer momento, uma pessoa pode estar praticando a parte “aberta” mais do que a outra. Mas o contexto é fundamental.

“Na machosfera, existe muita psicologia evolucionista rudimentar, em que as pessoas se apegam a explicações pseudocientíficas para justificar por que o que os homens querem fazer é natural”, diz James Bloodworth, autor de “Lost Boys: A Personal Journey Through the Manosphere” (Garotos Perdidos: Uma Jornada Pessoal pela Machosfera, em portguês).

“Eles usaram essas justificativas para dizer que os homens são programados para dormir com muitas mulheres. Enquanto as mulheres são programadas para ficar com um só homem”, acrescenta.

Mas o que exatamente é monogamia unilateral?

Essencialmente, trata-se de uma parceria na qual espera-se que uma pessoa permaneça monogâmica, enquanto a outra pode ter relacionamentos sexuais ou emocionais com outras pessoas.

Mas no contexto da machosfera, o termo se refere especificamente a relacionamentos heterossexuais divididos por linhas de gênero rígidas: a mulher deve permanecer comprometida com seu marido ou namorado, enquanto o homem é livre para buscar relacionamentos externos.

Este não é um conceito novo, afirma Elisabeth Sheff, socióloga e coach de relacionamentos especializada em poliamor e não monogamia ética. Ao longo da história, homens ricos e poderosos muitas vezes tiveram permissão para ter múltiplos parceiras, diz ela. E alguns relacionamentos abertos assumem uma dinâmica unilateral, embora, nesses casos, isso geralmente seja mutuamente acordado.

“Nesse sentido, consigo entender o ponto de vista deles em relação a cobiçarem isso”, diz ela sobre quem promove a monogamia unilateral. Mas, acrescenta, a ideia de que as mulheres não querem múltiplos parceiros é absolutamente falsa.

De onde surgiu o termo?

O conceito parece estar circulando online há algum tempo. Por exemplo, em uma postagem no Reddit de 11 anos atrás, uma mulher buscava orientação sobre como lidar com uma dinâmica monogâmica unilateral imposta por seu namorado. Mas a discussão veio à tona recentemente, devido à machosfera.

Bloodworth diz que, durante a pesquisa para seu livro, publicado no ano passado, descobriu alguns homens que aspiravam a ter um harém de mulheres ou várias namoradas.

O que deu início a essa discussão?

No documentário da Netflix, John Theroux examina a crescente rede e ideologia da machosfera, entrevistando influenciadores masculinos que defendem seus valores centrados na masculinidade. Ele conversa com vários deles sobre suas ideias do que significa ser homem, como ter boa forma física, muito dinheiro e dormir com muitas mulheres.

Após conversar com Waller, Theroux entrevista Amrou Fudl, mais conhecido como Myron Gaines, co-apresentador do podcast “Fresh and Fit”, que se apresenta como um “podcast de autoaperfeiçoamento masculino”.

Fudl diz a Theroux que entende as mulheres e sabe o que é melhor para elas. “É assim que as mulheres querem. Elas querem um homem que possa liderá-las e dominá-las”, afirma.

Momentos depois, Theroux pergunta à namorada de Fudl o que ela acha da monogamia unilateral e da possibilidade de seu parceiro ter várias esposas. Visivelmente desconfortável, ela responde que “verá quando acontecer”.

Qual a diferença entre monogamia unilateral e relacionamento aberto?

Existem diversos modelos de relacionamento não tradicionais nos quais os participantes, de forma consensual, buscam relacionamentos e encontros sexuais com pessoas que não sejam seu parceiro principal.

Essas dinâmicas ganharam popularidade nos últimos anos, especialmente entre pessoas progressistas e de esquerda que buscam relacionamentos. No entanto, aqueles que fazem parte da machosfera estão usando terminologia semelhante para definir papéis de gênero específicos dentro de um relacionamento, diz Sheff.

Embora exista o conceito de “relacionamento mono-poli”, no qual um dos parceiros permanece monogâmico enquanto o outro se relaciona com outras pessoas, essas classificações não são ditadas por gênero e orientação sexual, afirma Sheff. Nesses relacionamentos, ambos os papéis são negociados.

Isso não é simplesmente trapaça?

Depende de quem você pergunta. A infidelidade existe há muito tempo, e trair implica desonestidade, o que não é o caso aqui. Mas só quem está dentro do relacionamento pode afirmar com certeza.

Autor: Folha

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