Para celebrar o 333º aniversário de Curitiba, dias atrás, inventaram de distribuir à população 50 quilos de uma comida que é símbolo da cidade: a carne de onça.
Assim como lagarto não é réptil e maminha não é teta, carne de onça não envolve o abate de feras felinas. É carne de boi crua, moída e temperada, uma versão ucraniana-paranaense do steak tartare.
Uh, 50 quilos de carne crua numa festa popular? Péssima ideia, risco de um surto de intoxicação alimentar. Aparentemente, porém, tudo correu bem.
A festa me fez desenvolver um ligeiro hiperfoco em segurança alimentar, com o auxílio dos algoritmos das redes sociais. Apareceu-me no Instagram um perfil singular: um microbiologista pop, espécie surgida no ecossistema virtual da pandemia de 2020.
Com mais de 1 milhão de seguidores e integrante do elenco de uma agência de influenciadores, o sujeito veicula vídeos que aniquilam qualquer apetite com nojeiras que nos fazem adoecer pela comida.
É fácil entender por que o microbiologista influenciador faz tanto sucesso. Ao se apresentar como uma voz da razão, ele cutuca com força nossos sentimentos irracionais.
Comer sempre foi um lance arriscado, assim como segurar num corrimão e depois coçar os olhos. É impossível esquivar-se de todos os perigos invisíveis.
Cabe a quem vende comida respeitar as normas sanitárias, coisa que mora na utopia. Cabe a cada pessoa escolher o grau e o tipo do risco que está disposta a encarar.
Eu topo o risco de carnes e ovos malpassados em situações de asseio aparente. Tenho mais medo de vegetais crus, da saladinha servida no boteco ou nos bandejões da vida.
Fiquei assim depois de ouvir um amigo que tem um cisticerco —larva do verme tênia— alojado no cérebro, que o faz tomar medicamentos para evitar convulsões. Pegou o bicho, ele suspeita, comendo salada.
Sim, comer alface mal lavada pode ser pior do que comer porco cru, graças ao ciclo reprodutivo da tênia. Os ovos estão nas fezes e causam os cisticercos; o cisticerco está na carne e vai dar verminose, coisa chata, mas fácil de se resolver.
Assim, amigos, tratem de higienizar seus vegetais com produtos à base de água sanitária. E segue uma receitinha de salada.
Carpaccio de tomate
Rendimento: 1 porção
Dificuldade: fácil
Tempo de preparo: 10 minutos
Ingredientes
- 2 tomates maduros higienizados
- Cebola roxa higienizada a gosto
- 1 filé de anchova
- 6 azeitonas (verdes e pretas) sem caroço
- 1 colher (café) de alcaparras escorridas
- 5 folhas de manjericão higienizadas
- 3 colheres (sopa) de azeite
- 1 colher (sopa) de suco de limão
- Pimenta-do-reino a gosto
Modo de fazer
- Corte fatias finíssimas do tomate e da cebola
- Pique a anchova, as azeitonas, as alcaparras e o manjericão. Bata com a ponta da faca até quase virar uma pasta. Dilua com o azeite e o suco de limão
- Distribua o molho e moa a pimenta antes de servir
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Autor: Folha








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