quinta-feira, janeiro 1, 2026

Que um pacto republicano recoloque país nos trilhos – 31/12/2025 – Opinião

O ano de 2026, que começa, poderá entrar para a história do Brasil como aquele em que as forças políticas e as elites do Estado puseram-se de acordo sobre as balizas inegociáveis para o bem do desenvolvimento organizacional, social e econômico do país. Terão, por óbvio, de dedicar muita energia e abrir mão de ideias ruins e privilégios para chegar a esse objetivo.

A primeira baliza é a democracia. Espera-se que as condenações de altas autoridades civis e militares pela tentativa de melar o resultado das urnas em 2022 tenham sido a pá de cal para delírios autoritários de grupos extremistas. A quem não teve voto suficiente para se eleger só resta a alternativa de aguardar mais quatro anos até um novo pleito.

Outra limitação que deveria ser reconhecida por todos é a orçamentária. O ano eleitoral de 2022 foi pródigo nas expansões oportunistas e insustentáveis de despesas federais, com a cooperação entre quem comandava, ou iria comandar, o Executivo e largas maiorias pluripartidárias no Congresso Nacional, sob a supervisão frouxa do Poder Judiciário.

Evitar a repetição desse desatino não bastará para tirar a economia da rota do crescimento baixo e errático, do risco inflacionário e do juro alto. Será preciso que as forças que pleiteiam o Executivo e o Legislativo se comprometam com reduzir o apetite do governo pela gastança, que terá feito sua dívida passar de 80% do PIB no final de 2026, salto de dez pontos em apenas quatro anos.

O desarranjo subjacente ao descontrole orçamentário repete-se, com outras manifestações, nas relações a esta altura problemáticas entre os três Poderes e entre cada um deles e a sociedade, à qual deveriam servir. Prevalece a corrida selvagem de grupos e corporações organizados em busca de seus interesses egoístas, o que resulta sempre no sacrifício do bem comum.

O Congresso extrapolou suas atribuições num regime presidencialista e agora executa mais de R$ 60 bilhões do Orçamento. O Supremo Tribunal Federal (STF) não se desfaz de poderes extraordinários que retira por via heterodoxa de leituras muito particulares e idiossincráticas da Constituição.

Tanto acúmulo de poder transformou a nomeação de ministros para a corte num torneio para escolher o candidato mais submisso ao presidente que indica. Tanto acúmulo de poder sem controles nem responsabilização —no governo, no Congresso e na cúpula do Judiciário— semeia o solo em que viceja a corrupção.

Haverá muito em disputa no ano de 2026, mas o país não vai mudar de destino na política, na economia e na sociedade caso prevaleça a soberania da caça à renda, ao poder e aos privilégios entre as elites que disputam e exercem o comando do Estado.

O chamado “acordão”, que deixou esse jogo de efeitos danosos correr sem peias, deveria ser substituído por um pacto republicano que iniba o estímulo predatório e valorize os interesses da coletividade dos brasileiros.

editoriais@grupofolha.com.br

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