Aliados descrevem Ratinho Junior (PSD-PR) como um político cauteloso, “pé no chão” e bom de conversa ao citar a maneira como ele conduz as articulações que vão definir o futuro eleitoral dele mesmo e de seu grupo político até o final de março. As características também são justificativas para o fato de ele ser o único dos presidenciáveis a deixar um eventual oficial da pré-candidatura ao Palácio do Planalto para os “45 minutos do segundo tempo”.
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No último ano, o nome de Ratinho Junior ganhou força na política nacional. Agora, às vésperas do prazo para a desincompatibilização de cargos – o que forçará os governadores interessados na disputa ao Senado ou à Presidência a renunciarem ao mandato – o paranaense chega como um dos nomes da centro-direita brasileira para compor um fator adicional à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Desde o ano passado, a estratégia do governador paranaense segue a mesma. Nos bastidores, ele trabalha pela pré-candidatura presidencial, colocando-se como uma opção, enquanto se esquiva de um anúncio formal de pré-candidatura nos holofotes.
Tudo indica que isso deve permanecer até a decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, prevista para o final deste mês. Além de Ratinho Junior, os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS) integram o trio de presidenciáveis do PSD.
Com a pressão do calendário eleitoral, o tom de Ratinho Junior subiu durante a maratona de eventos partidários nos últimos dias, em São Paulo, entre eles as filiações de novos deputados e uma reunião com a Associação Comercial de São Paulo. Em entrevista ao Poder 360, Ratinho Junior se colocou como “candidato da direita cidadã”, descartando o status de “terceira via”.
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Enquanto aguarda a decisão oficial do PSD, o governador do Paraná terá que resolver alguns problemas partidários no estado, antes de deixar o cargo, para manter a sigla unificada em prol da tentativa de sucessão no Executivo.
Além disso, o líder paranaense terá reuniões com dirigentes partidários para a manutenção das siglas na base governista, o que, segundo ele, contribuiu com a “paz institucional e política” para o desenvolvimento do estado nos últimos sete anos.
A reportagem da Gazeta do Povo apurou que secretários mais próximos de Ratinho Junior e deputados estaduais aliados trabalham desde novembro do ano passado pela pré-candidatura do titular da pasta das Cidades, Guto Silva (PSD-PR), antigo amigo do governador.
No entanto, parte do PSD defende a pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi, pela solidez do político junto a prefeitos e vereadores do interior, marcadamente na região metropolitana de Curitiba, ou então a escolha pelo nome do ex-prefeito de Curitiba e atual secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca.
Essa ala do PSD afirma que a dupla tem mais capital político para vencer o pleito eleitoral e dar continuidade à gestão Ratinho Junior, que conta com alta aprovação no estado. Na semana passada, um jantar na residência de Guto Silva, em Curitiba, reforçou o nome dele como pré-candidato de Ratinho Junior, enquanto Curi e Greca podem deixar o partido até o final deste mês, caso essa definição não se altere.
Um interlocutor próximo de Ratinho Junior ouvido pela Gazeta do Povo aposta que, com o anúncio sobre o escolhido pelo governador nas próximas semanas, ele conseguirá manter o grupo político unificado no Paraná, com base no diálogo para a conciliação dos interesses eleitorais.
Ratinho Junior adia conversas com o PL
Um dos principais efeitos colaterais que Ratinho Junior terá de administrar, se for lançado como pré-candidato à Presidência, é a relação do PSD com o PL no Paraná. Se entrar na disputa pelo Palácio do Planalto, Ratinho Junior deve disputar votos com Flávio Bolsonaro.
Nas eleições de 2024, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) articulou com Ratinho Junior um acordo no estado, renovando então a aliança feita desde a vitória de ambos em 2018. Com a coligação encabeçada entre PSD-PL, o grupo político da família Bolsonaro poderia apoiar o escolhido por Ratinho Junior para a corrida ao governo do estado e assegurar o palanque para o herdeiro político do ex-presidente, que foi preso no ano passado pela acusação de tentativa de golpe de Estado.
Ou seja, o cenário para o primeiro turno da eleição presidencial muda se Ratinho Junior entrar no páreo. Integrantes do PL ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que o filho 01 de Bolsonaro articula o próprio palanque no Paraná, enquanto o governador adia um posicionamento.
A cúpula nacional do PL espera por Ratinho Junior para discutir o assunto desde o início de março. Conforme a apuração da Gazeta do Povo, a reunião prevista em Brasília foi adiada pela segunda vez pelo governador paranaense na segunda-feira (9), quando ele iria se encontrar com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável do PL.
Na última sexta-feira (6), Ratinho Junior negou que tivesse agendado um encontro com Flávio Bolsonaro para definição do quadro eleitoral, quando questionado a respeito durante a pré-inauguração da Ponte de Guaratuba, no litoral paranaense.
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O presidente da Alep, Alexandre Curi, pode migrar durante a janela partidária — que vai até o dia 3 de abril — do PSD para o Republicanos. Assim, aliados afirmam que ele pode lançar a pré-candidatura ao governo paranaense pela eventual nova legenda, contando com apoio de outros partidos próximos ao presidente do Legislativo.
No plano nacional, conforme apurou a Gazeta do Povo, o movimento é visto como uma alternativa para a construção do palanque estadual necessário a Flávio Bolsonaro, com o aval do presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira. Além disso, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca recebeu o convite de três partidos, entre eles o Progressistas, e também pode deixar o PSD do Paraná até o final de março.
Autor: Gazeta do Povo








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