O candidato presidencial hondurenho Salvador Nasralla contestou formalmente os resultados das eleições no país, a mais recente reviravolta em uma disputa acirrada que foi marcada por atrasos, problemas técnicos e acusações de fraude.
Nasralla ficou em segundo lugar, atrás do candidato conservador Nasry Asfura, que foi apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e declarado vencedor na véspera de Natal, mais de três semanas após as eleições de 30 de novembro.
Menos de 1% dos votos separaram os dois candidatos, de acordo com o CNE, autoridade eleitoral do país. A equipe jurídica de Nasralla entrou com um recurso no Tribunal de Justiça Eleitoral (TJE) de Honduras nesta segunda (30), levando a corte a emitir uma resolução que solicita documentação adicional antes de decidir se aceita o recurso.
“Houve muitas inconsistências neste processo eleitoral”, disse a advogada de Nasralla, Karla Romero, na noite de segunda, afirmando que em muitos departamentos do país os votos para Asfura foram “inflacionados”.
Os advogados de Nasralla não divulgaram publicamente as supostas provas de fraude apresentadas no recurso. E o partido de Asfura negou as acusações de fraude.
Nasralla, um centrista que já concorreu duas vezes sem sucesso à Presidência, está buscando uma revisão abrangente e recontagem dos votos presidenciais em pelo menos 12 dos 18 departamentos de Honduras. O TJE estabeleceu um prazo de 48 horas para que o CNE apresente a documentação relativa aos pedidos de recontagem.
A contestação ocorre em meio a uma tensão política elevada e à desconfiança do público no processo eleitoral.
Nasralla, que também contestou sua derrota nas eleições gerais de 2017, rejeitou a declaração do CNE sobre a vitória de Asfura na última semana, alegando que a autoridade eleitoral excluiu votos que deveriam ter sido contados.
O presidente do Congresso hondurenho, do partido governista Libre, também rejeitou os resultados. Apoiadores do Libre se manifestaram em frente à sede do CNE em Tegucigalpa na segunda. Asfura deve assumir o cargo em 27 de janeiro para o mandato de 2026 a 2030.




