
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, defendeu de forma indireta os planos do presidente americano, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, ao dizer que esta não é “parte natural” da Dinamarca.
Trump tem alegado questões de segurança nacional para buscar anexar a ilha no Ártico, um território autônomo dinamarquês, e vem citando a Rússia e a China como suas maiores preocupações na região.
De acordo com informações da agência Reuters, em entrevista coletiva em Moscou nesta terça-feira (20), Lavrov disse que a Rússia não busca interferir nos assuntos da Groenlândia e que o governo Trump sabe que o Kremlin não tem planos de assumir o controle da ilha.
Entretanto, validou indiretamente as pretensões de Trump, que tem pressionado para que a Ucrânia aceite ceder partes do seu território à Rússia para que a guerra entre os dois países seja encerrada.
“Em princípio, a Groenlândia não é parte natural da Dinamarca, certo?”, disse Lavrov.
“Não era parte natural da Noruega nem da Dinamarca. É uma conquista colonial. O fato de os habitantes estarem agora acostumados e se sentirem confortáveis é outra questão”, acrescentou o chanceler.
Recentemente, Trump apresentou um argumento parecido para justificar a anexação da Groenlândia. “Por que eles [dinamarqueses] teriam um ‘direito de propriedade’, afinal? Não há documentos escritos, apenas um barco atracou lá há centenas de anos, mas nós também tínhamos barcos atracando lá”, disse o presidente americano.
No fim de semana, Trump anunciou tarifas contra oito países aliados, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, que se opõem à anexação americana da Groenlândia.
A partir de 1º de fevereiro, Washington vai cobrar uma tarifa de 10% sobre todas as exportações desses países para os Estados Unidos, taxa que será elevada para 25% em 1º de junho, “até que um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia” pelos americanos, escreveu Trump.
O anúncio gerou revolta entre os países afetados, que estão considerando acionar a chamada “bazuca comercial”, uma série de retaliações que poderia incluir o bloqueio parcial do acesso dos Estados Unidos aos mercados europeus e controles de exportação.
Autor: Gazeta do Povo







