A próxima safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil deverá crescer 4%, com volume recorde de etanol produzido nas usinas, em meio às incertezas geopolíticas como a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (20) em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), durante evento da consultoria Datagro de abertura de safra de cana, açúcar e etanol no país. A região centro-sul inclui os principais estados produtores, como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
A projeção é que a moagem de cana nas usinas alcance 635 milhões de toneladas, ante as 610,5 milhões previstas da safra passada, total que, embora seja superior aos dois últimos anos, está abaixo do recorde histórico do setor, obtido na safra 2023/24, com 654,4 milhões de toneladas.
O ano-safra da cana vai de abril a março do ano seguinte, o que significa que a safra 26/27 começará no próximo dia 1º.
O cenário projetado pela Datagro para a safra que se iniciará dependerá, porém, das condições climáticas de março e abril, segundo o presidente da consultoria, Plínio Nastari. “Elas vão determinar o volume de cana do segundo semestre”, disse.
O que já se projeta é que, do total de cana moída, a maior parte (51,5%) será destinada para a produção de etanol hidratado (usado diretamente nos veículos) e anidro (misturado à gasolina antes da comercialização nos postos).
O restante irá para a fabricação de açúcar, que deverá repetir o desempenho da safra 25/26, com 40,7 milhões de toneladas.
Todo o acréscimo de cana previsto, portanto, terá como destino produzir etanol, num momento crítico em relação à cotação do petróleo no mercado internacional. Nesta quarta, o Irã atingiu com drones ao menos três cargueiros no golfo Pérsico.
“Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari. O barril está flutuando acima de US$ 90, depois de ter batido quase US$ 120.
Serão produzidos, caso as previsões se confirmem, 4,6 bilhões de litros a mais do biocombustível na próxima safra, num total de 38,42 bilhões, dos quais 23,85 bilhões de hidratado e 14,57 bilhões de anidro.
Nastari afirmou que estudos da Datagro com base na frota e no consumo dos combustíveis mostraram que na safra anterior 45,6% da gasolina foi substituída por etanol, índice que tem condições de crescer em quase todo o país, o que seria positivo, segundo ele, dadas as incertezas e as vantagens ambientais do combustível derivado da cana.
Em estados como São Paulo (58,9% de substituição da gasolina) e Mato Grosso (67,2%) o consumo de etanol é mais consolidado, mas ele vê cenário para avanços em estados do Nordeste, que têm índices abaixo de 40%.
“Não se compara com nenhum outro lugar do mundo. Nos Estados Unidos é 10,3%, na Argentina, 12%. Há um potencial enorme no Nordeste, em Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, de 32% a 38%. Certamente esses estados apresentarão crescimento em 2026.”
Autor: Folha








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