Os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por quase quatro décadas, mergulhando o país em incerteza e desencadeando um conflito que pode envolver grande parte do Oriente Médio.
Donald Trump, mandatário dos EUA, anunciou a morte de Khamenei no sábado (28), o que também foi confirmado pelas autoridades iranianas. O americano disse que os bombardeios continuarão “ininterruptamente durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para atingirmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO TODO!”
O Irã respondeu com uma onda sem precedentes de ataques em todo o Oriente Médio, visando diversos países que abrigam bases militares americanas, incluindo Bahrein e Emirados Árabes Unidos. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou neste domingo (1º) que “derramamento de sangue e vingança” são “direito e dever legítimos” do Irã.
Como chegamos a esta situação?
Enfraquecido pela guerra do verão passado com Israel, na qual os EUA entraram brevemente, o regime iraniano vem enfrentando uma grave crise econômica que desencadeou protestos em todo o país em janeiro.
Após a repressão que deixou milhares de manifestantes mortos, Trump prometeu ajudá-los. Ele alertou que os EUA estavam “prontos para atacar” e começaram a enviar enormes quantidades de material bélico para a região, mesmo enquanto retomavam os esforços para chegar a um novo acordo nuclear com o Irã.
A última rodada de negociações terminou na Suíça na quinta-feira (26), com o Irã concordando em “nunca” estocar urânio enriquecido. O ministro das Relações Exteriores de Omã, que atuou como mediador nas negociações, afirmou que houve “progressos significativos” e que um acordo de paz está ao alcance.
Por que os EUA atacaram o Irã?
Em seu vídeo para a Truth Social, Trump afirmou que o principal objetivo dos ataques era “defender o povo americano, eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”.
Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear do Irã, que a Casa Branca afirmou ter destruído “totalmente” com ataques em junho.
“Sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”, disse Trump, sem apresentar provas de que o Irã estivesse mais perto de obter uma arma nuclear.
O presidente também reiterou suas recentes alegações de que o Irã está construindo mísseis balísticos capazes de atingir o território continental dos EUA. Uma avaliação não classificada da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) de 2025 afirmou que o Irã poderia desenvolver um míssil balístico intercontinental (ICBM) “militarmente viável” até 2035, “caso Teerã decida prosseguir com essa capacidade”.
Segundo duas fontes, a alegação de que o Irã em breve terá um míssil capaz de atingir os EUA não é corroborada por informações de inteligência.
Por que Israel está atacando o Irã?
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considera o Irã o adversário mais perigoso de Israel. Após a queda do regime de Bashar al-Assad na Síria, um importante aliado iraniano, e o enfraquecimento do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, por Israel no Líbano, Israel lançou uma guerra contra o próprio Irã no verão passado.
Embora Israel tenha interrompido o conflito após os EUA atacarem as instalações nucleares do Irã, analistas já suspeitavam há tempos que Netanyahu aproveitaria a oportunidade para retomar os ataques contra o Irã. Com as eleições marcadas para outubro, Netanyahu também pode ver o retorno à guerra como uma chance de consolidar sua posição internamente.
Em uma declaração em vídeo divulgada no sábado, explicando por que Israel estava retomando seus ataques ao Irã, Netanyahu também reiterou sua afirmação de que o regime islâmico não deve ter permissão para adquirir uma arma nuclear.
Os EUA e Israel estão buscando uma mudança de regime?
Em suas declarações, tanto Trump quanto Netanyahu deixaram claras suas esperanças de uma mudança de regime no Irã, antecipando-se à confirmação iraniana da morte de Khamenei.
Trump disse ao povo iraniano que “a hora da sua liberdade está próxima”, enquanto Netanyahu os exortou a “se livrarem do jugo da tirania”.
Na noite de sábado, foram ouvidos gritos de alegria e comemorações em algumas partes de Teerã após as notícias da morte de Khamenei. Em um vídeo de Galleh Dar, na província de Fars, pessoas aparecem derrubando um monumento enquanto o fogo ardia ao redor delas.
Multidões pró-regime se reuniram separadamente em Teerã, ao amanhecer de domingo, para lamentar a perda de seu líder. Mais cedo, um apresentador de notícias da TV estatal chorou ao confirmar a morte de Khamenei.
O ministro da Defesa do Irã, Aziz Nasirzadeh, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, tenente-general Abdolrahim Mousavi, estavam entre os altos oficiais mortos nos ataques conjuntos entre EUA e Israel, confirmou a mídia estatal iraniana neste domingo.
Anteriormente, o Irã confirmou as mortes do major-general Mohammad Pakpour, que liderava a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), e de Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Defesa do Irã.
O que foi atingido?
No sábado (28), foram ouvidas explosões no distrito de Pasteur, em Teerã, onde fica um complexo de alta segurança que abriga a residência e o escritório de Khamenei. Imagens mostraram graves danos aos edifícios e uma densa fumaça preta.
Diversas outras cidades iranianas foram atingidas, incluindo Minab, onde uma escola primária feminina sofreu uma das maiores perdas de vidas. Citando um promotor local, a mídia estatal iraniana informou que 148 pessoas morreram na cidade, e imagens mostravam uma fileira de pequenos sacos para cadáveres do lado de fora de um prédio danificado.
A agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos EUA, informou que, até o final da noite de sábado, pelo menos 133 civis haviam sido mortos nos ataques conjuntos contra o Irã, e 200 ficaram feridos. A mídia estatal iraniana elevou o número de mortos para mais de 200, com mais de 700 feridos.
Israel está se preparando para vários dias de ataques contra o Irã e “ainda mais, se necessário”, disse uma fonte israelense à CNN.
Qual foi a resposta do Irã?
O Irã retaliou com uma onda sem precedentes de ataques em todo o Oriente Médio, visando diversos países vizinhos que abrigam bases militares dos EUA, bem como Israel.
Em todo o Israel, uma pessoa morreu e outras 121 ficaram feridas, segundo o serviço nacional de emergência do país.
Explosões foram relatadas nos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar e Bahrein, bem como na Arábia Saudita, principal rival regional do Irã, que prometeu tomar “todas as medidas necessárias” para se defender.
Uma equipe da CNN em Dubai ouviu três fortes explosões por volta das 8h15 da manhã, horário local, no domingo.
Anteriormente, imagens dramáticas mostraram pessoas fugindo de um corredor tomado pela fumaça no Aeroporto Internacional de Dubai, enquanto as autoridades confirmaram que quatro funcionários ficaram feridos.
O Fairmont Hotel, localizado no sofisticado complexo Palm Jumeirah, também sofreu danos, como mostram fotos que indicam chamas e um buraco em uma parede externa.
Uma pessoa morreu e sete ficaram feridas no Aeroporto Internacional Zayed, em Abu Dhabi, também nos Emirados Árabes Unidos, enquanto ataques com drones causaram danos e ferimentos leves no Aeroporto Internacional do Kuwait. Uma pessoa teria morrido atingida por destroços após as defesas aéreas interceptarem mísseis que tinham como alvo alvos em Abu Dhabi.
O Catar e a Jordânia interceptaram mísseis que tinham como alvo seus países.
O Ministério do Interior do Bahrein informou que três edifícios nas cidades de Manama e Muharraq sofreram danos “em consequência de ataques com drones e destroços de um míssil interceptado”. Vídeos mostraram chamas saindo de um prédio residencial em Manama, embora a causa do incêndio ainda não esteja clara.
Os confrontos interromperam o tráfego no Estreito de Ormuz – uma rota marítima crucial localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Os Estados Unidos não sofreram baixas relacionadas a combates em sua operação contra o Irã e os danos às instalações militares americanas foram mínimos, afirmou o Comando Central dos EUA em um comunicado.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, descreveu o ataque como ilegal.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, acusou o governo Trump de ter sido “arrastado” para um conflito no qual “o único beneficiário” seria Israel.
Autor: CNN Brasil








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