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Saúde do coração: como evitar um infarto antes que ocorra – 04/11/2025 – Equilíbrio

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Você provavelmente conhece alguém que morre de medo de infartar no futuro —ou, talvez, você seja essa pessoa.

Esse medo pode estar relacionado à forma como muita gente vê um infarto: como um evento súbito, aleatório e imprevisível. É uma preocupação compreensível, alimentada por histórias de pessoas aparentemente saudáveis que sofrem um evento cardiovascular sem aviso prévio.

Mas não é bem assim. A maioria dos infartos não é fruto do acaso. Pelo contrário, eles são o resultado de fatores de risco conhecidos, mensuráveis e, o mais importante, modificáveis, que atuam silenciosamente no corpo ao longo de anos.

Viver com medo, além de gerar estresse, não resolve nada. Vamos entender melhor essa história.

O que é? O infarto agudo do miocárdio é a morte de células do músculo cardíaco devido à interrupção do fluxo sanguíneo. Isso ocorre quando uma das artérias coronárias, responsáveis por nutrir o coração, é obstruída —na maioria das vezes, por placas de colesterol.

Esse acúmulo de gordura nas artérias tem nome: aterosclerose. “É uma doença que não costuma dar sintomas. A primeira manifestação da aterosclerose costuma ser o infarto”, explica o cardiologista Silvio Póvoa.

Então, em vez de esperar os sintomas, especialistas defendem a importância de antecipar fatores que aumentam o risco de um infarto acontecer.

Como um infarto se manifesta? O principal sintoma é a dor torácica. Acontece no meio do peito (ou ligeiramente à esquerda), descrita como aperto, pressão ou queimação, que piora com o esforço e melhora com o repouso.

Outros sintomas podem incluir: falta de ar, cansaço, agitação, desconforto, perda de capacidade funcional, apatia, indisposição ou alterações comportamentais (especialmente em idosos).

O que fazer? Nunca ignorar uma dor no peito. A recomendação é sempre procurar atendimento médico, explica Nilton Carneiro, cardiologista da Rede Santa Catarina.

Isso porque a dor torácica pode sinalizar não apenas um infarto, mas também outras condições graves como embolia pulmonar (obstrução da artéria do pulmão) ou pneumotórax (colapso do pulmão). Em todos esses casos, ser atendido por um médico rapidamente pode evitar a morte.

E como evitar que aconteça? Modificando hábitos, monitorando indicadores de saúde e, quando necessário, buscando ajuda médica. Veja o que os cardiologistas querem que você saiba:

9 em cada 10 infartos são potencialmente preveníveis

Um grande estudo de 2004 chamado Interheart, feito em 52 países com 29 mil pessoas, identificou nove fatores de risco modificáveis responsáveis por mais de 90% dos eventos coronarianos. São eles: colesterol alto, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade abdominal, fatores psicossociais (como estresse e depressão), baixo consumo de frutas e vegetais, sedentarismo e consumo de álcool.

Os resultados indicaram que o foco nos fatores de risco pode prevenir globalmente uma grande proporção de infartos. “O problema é que, muitas vezes, eles acabam passando batido. A gente vê isso no consultório. Tem paciente que fala: ‘vim fazer um check-up para ver se não vou infartar’. E aí fuma, não faz exercício, não come vegetal. Aí não é check-up que deve ser feito, é mudança de hábito”, diz Póvoa.

Ser atleta não garante imunidade

Embora o exercício regular seja um dos pilares da saúde cardiovascular, ele não anula outros fatores de risco. Atletas ainda podem ter uma predisposição genética para colesterol alto, desenvolver hipertensão ou diabetes.

Acreditar que ser fisicamente ativo garante imunidade contra doenças cardíacas pode fazer com que muitos atletas negligenciem o monitoramento da saúde, de acordo com Póvoa. Ele adverte também que o uso de esteroides anabolizantes está associado a um risco significativamente maior de morte súbita.

Seu histórico familiar importa, mas ele não é seu destino

Se um parente de primeiro grau teve um evento cardiovascular antes dos 55 ou 60 anos, isso deve servir como um ponto de atenção. Não para gerar pânico, mas para motivá-lo a ser ainda mais rigoroso na identificação e tratamento dos seus próprios fatores de risco pessoais.

Vale a pena buscar uma avaliação médica especializada, com exames que podem direcionar melhor o tratamento, indica Carneiro.

Em alguns casos, só bons hábitos não serão suficientes

É aí que entra o uso de medicamentos. Questões como diabetes e hipertensão, por exemplo, têm fatores genéticos importantes. Algumas pessoas, mesmo mantendo bons hábitos de vida, não vão conseguir controlar esses componentes e precisarão de remédios —que devem ser indicados de forma individualizada por um médico.

“Tomar remédio não isenta que a pessoa tenha que fazer exercício físico e se alimentar bem. Mas o reconhecimento precoce desses fatores de risco e o tratamento adequado se associam com maior proteção para o paciente”, explica Póvoa.

Em resumo: a maioria dos infartos não é um destino inevitável ou um golpe de azar. A ciência nos mostra de forma conclusiva que a prevenção é a ferramenta mais poderosa que temos.

O cuidado com o coração não começa na emergência de um hospital, mas nas escolhas diárias e na decisão de, como alerta Póvoa, “não namorar com o fator de risco”. Tratar uma condição aos 30 anos é imensamente melhor do que confrontá-la aos 60.


O que você precisa saber

Notícias sobre saúde e bem-estar

Uso prolongado de melatonina pode aumentar risco de insuficiência cardíaca. Um estudo preliminar apresentado no congresso da American Heart Association também associa o uso a um risco maior de hospitalização e morte em pessoas com insônia crônica. A pesquisa acompanhou 130 mil adultos durante cinco anos e não comprova relação de causa e efeito, mas levanta preocupações sobre a substância.

Pesquisadores desenvolvem anticorpo que reativa sistema imunológico contra câncer de pâncreas. O estudo da Universidade Northwestern, nos EUA, identificou uma ligação entre proteínas que “engana” as células de defesa e faz com que elas deixem de atacar o tumor. Quando os cientistas bloquearam essa interação com um anticorpo, o sistema imunológico voltou a reconhecer e destruir o câncer com eficácia.

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