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Segunda gravidez altera o cérebro das mulheres – 28/02/2026 – Equilíbrio

A segunda gestação provoca mudanças “únicas” no cérebro materno que podem aprimorar a capacidade de direcionar a atenção, aponta um novo estudo do Centro Médico Universitário de Amsterdã (UMC), na Holanda.

Os pesquisadores já haviam constatado que o cérebro da mulher passa por alterações durante a primeira gestação para se preparar para a maternidade.

Mas esse novo estudo indica que, na segunda gestação, ocorrem mudanças específicas associadas à “atenção orientada a objetivos e às demandas de tarefas”.

Segundo os autores, os achados desse estudo também ajudam a compreender por que algumas mulheres desenvolvem problemas de saúde mental no período materno.

A maioria das mulheres engravida ao longo da vida. E, em 2023, a média global era de 2,3 filhos por mulher.

Pesquisadores do laboratório que investiga o chamado pregnancy brain (cérebro de grávida), no Centro Médico Universitário de Amsterdã, já haviam constatado que, na primeira gestação, as áreas do cérebro ligadas à autorreflexão e à compreensão das emoções dos filhos sofrem alterações, mudanças que podem favorecer o cuidado materno.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores acompanharam 110 mulheres: parte delas se tornou mãe pela primeira vez, outra parte teve o segundo filho e um terceiro grupo permaneceu sem filhos. Exames de imagem cerebral realizados antes e depois das gestações permitiram mapear com precisão as alterações.

Nas mulheres que passaram por uma segunda gestação, foram observadas mais mudanças em redes cerebrais relacionadas ao controle da atenção e à resposta a estímulos sensoriais.

“Esses processos podem ser benéficos ao cuidar de vários filhos”, afirmou a pesquisadora Milou Straathof, responsável pela análise dos dados.

O estudo não tirou conclusões sobre alterações cerebrais em mulheres que sofreram aborto espontâneo. Ainda assim, os autores afirmam que os dados sugerem que as principais mudanças no cérebro ocorrem no fim da gestação.

Impactos na saúde mental

O estudo também identificou associação entre alterações cerebrais na primeira e na segunda gestações e o desenvolvimento de transtornos mentais maternos.

Em todo o mundo, cerca de 10% das gestantes e 13% das mulheres no período pós-parto apresentam algum transtorno mental, principalmente depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A pesquisa do Centro Médico Universitário de Amsterdã apontou que mudanças estruturais na camada externa do cérebro —o córtex cerebral— estão associadas à depressão perinatal, ou seja, à depressão que ocorre durante a gestação ou após o parto.

Entre as mulheres que se tornaram mães pela primeira vez, as alterações estiveram mais ligadas ao estado de saúde mental depois do nascimento do bebê. Já nas que viviam a segunda gestação, as mudanças mostraram associação mais forte com a saúde mental durante a gravidez.

“Com isso, mostramos pela primeira vez que o cérebro não muda apenas na primeira gestação, mas também na segunda”, afirmou Elseline Hoekzema, chefe do Pregnancy Brain Lab no Centro Médico Universitário de Amsterdã.

“Na primeira e na segunda gestação, o cérebro muda de maneiras semelhantes e também únicas. Cada gestação deixa uma marca singular no cérebro feminino”, acrescentou.

Embora os autores ressaltem a necessidade de mais pesquisas, eles afirmam que os resultados podem contribuir para aprimorar o cuidado às mães ao ampliar a compreensão sobre como e por que a depressão pós-parto se desenvolve em parte das mulheres.

“É importante que entendamos como o cérebro se adapta à maternidade”, disse Hoekzema.

Autor: Folha

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