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Segurança é o grande problema do Brasil, diz CEO da Ofner – 07/02/2026 – Painel S.A.

Há sete décadas no mercado brasileiro, a rede de confeitarias e cafeterias Ofner se mantém conservadora em relação à padronização e qualidade artesanal de seus produtos, mas também teve que se adaptar para acompanhar as diversas mudanças da sociedade. Uma delas é em relação à vida noturna.

Denilson Moraes, CEO da companhia, lembra que nos anos 1980, no tempo das discotecas, era comum padarias, mercados e docerias funcionarem durante 24 horas —inclusive a Ofner. Hoje, porém, com os problemas de segurança pública e mudanças de comportamento dos jovens, é um modelo que já não tem mais viabilidade, segundo o executivo.

Com 30 lojas hoje concentradas mais em shopping centers e nenhuma unidade de rua mais funcionando 24 horas, a Ofner está iniciando em 2026 um novo ciclo de expansão para os próximos dez anos. Na metade desse ciclo, em cinco anos, pretende alcançar 50 unidades. Focada em um público mais resiliente a preços, a Ofner será estratégica na escolha da localização das novas lojas.

A empresa espera faturar R$ 400 milhões neste ano, alta de 20% em relação ao ano anterior, e projeta manter esse patamar de crescimento pelos próximos anos.

No atual processo de expansão, a empresa deve voltar a ter lojas funcionando 24 horas?
Faz tempo que não falamos dessa possibilidade. Na década de 80, essas lojas funcionavam muito bem. A vida noturna era mais pulsante. Hoje as pessoas vão [dos passeios noturnos] direto para casa de carro. Não se circula mais de maneira tão despretensiosa na rua. Então, naturalmente, começou a cair o faturamento das lojas depois das 2h da manhã. Nossas lojas de rua ficam abertas somente até as 2h de quinta-feira a sábado.

Essa mudança aconteceu porque piorou a segurança?
A segurança pública é realmente um problema, o grande problema do Brasil hoje. Por isso tem que encontrar o ponto certo [para abrir uma loja], com estacionamento, porque tem que ser uma experiência feliz para o cliente.

Quais outros fatores levaram à transformação da vida noturna paulistana?
Eu acho que tem a questão de ter que diminuir o barulho depois das 22h e também tem as gerações atuais, que preferem ficar mais no smartphone, dentro de suas casas, do que de fato sair para se relacionar. Mas o grande problema do Brasil hoje é a segurança pública. Isso é um fato.

Por que a Ofner não aposta no modelo de franquias para acelerar o crescimento?
Ganharíamos velocidade com as franquias, sem a menor dúvida. Acho que o Brasil é moldado para ser um ambiente de franquias por causa da cadeia tributária. Esse modelo acaba sendo um facilitador. Mas perderíamos a padronização da confeitaria artesanal. A entrega do produto final sofreria bastante. Estamos em um processo de expansão, mas 100% com operações próprias. A Ofner carrega uma excelência no produto e a franquia traz uma fragilidade para a padronização. Somente com unidades próprias podemos garantir a perpetuação desse legado.

A empresa tem operação fora do Brasil. A ideia também é expandir no exterior?
Nós atendemos uma rede de supermercado do Texas [nos Estados Unidos], que tem 300 lojas, e temos uma loja temporária na Flórida. Neste ano abriremos outra unidade temporária em Nova Iorque.

O tarifaço de Donald Trump atrapalhou esse movimento no ano passado?
O tarifaço nos pegou de surpresa faltando 15 dias para um embarque, mas decidimos apostar forte nesse movimento [de expansão nos EUA]. Então, dobramos o tamanho da aposta no país e neste ano dobraremos mais uma vez. Já é uma operação que começa a ficar robusta.

A atual situação macroeconômica, de juros e endividamento elevados, não prejudica o processo de expansão da empresa?
Não vejo como um fator impeditivo. A Selic estando a 15% ou a 3,5%, o negócio é trabalhar para propor ao consumidor o melhor produto.

O público da Ofner tem poder aquisitivo maior, por isso não é tão impactado por esses fatores. Mas e para a empresa tomar crédito?
Não somos tomadores [de crédito]. Por isso temos um crescimento que é mais devagar. O capex [investimento para crescer] é sempre com recurso gerado pela própria companhia, em caixa.

O plano de expansão passa por reforçar as vendas no meio digital?
Nosso produto, principalmente o da confeitaria, é muito frágil para transporte. Então, quando o cliente não puder receber em casa o produto da mesma forma como está na loja, isso se torna um grande limitador. Tentamos crescer nesse meio, já avançamos, apostamos em tecnologia, mas a logística ainda é um impeditivo.

Qual é o carro-chefe hoje da Ofner?
Depende da época do ano. Agora o carro-chefe é a Páscoa. De fato, a Ofner é o que é por ser uma confeitaria, mas hoje a grande sacada é o café. As pessoas vão para tomar um café e lá também comem um salgado e um doce. Depois, levam para casa um chocolate. A grande maioria que vai hoje à Ofner é para tomar um café.

Quais as próximas inaugurações previstas?
Nos próximos três meses vamos inaugurar em São Paulo uma loja grande no Shopping Bourbon, também estamos muito próximos de fechar o projeto para uma loja de rua no bairro Anália Franco e outra em Santana.


RAIO-X

Denilson Moraes, 46
1979, Ibiúna (SP)
Formado em administração de empresas, tem mais de 20 anos de experiência em liderança executiva. Antes de assumir o comando da Ofner, atuou por dez anos no Grupo La Pastina, onde ocupou os cargos de diretor operacional e de presidente, além de ter passado pela JBS, onde foi gerente administrativo.

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Autor: Folha

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