Servidores do Banco de Brasília (BRB) afirmam ter tido alertas ignorados pela diretoria sobre riscos em operações com o Banco Master, segundo depoimentos prestados à Polícia Federal. As declarações indicam que problemas e possíveis irregularidades já haviam sido identificados internamente antes de qualquer investigação externa.
De acordo com informações confirmadas pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, os funcionários foram ouvidos como testemunhas no inquérito e relataram a atuação na auditoria interna que apontou falhas na compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Master. Segundo eles, os mesmos problemas que passaram a ser investigados pelo Banco Central do Brasil já haviam sido detectados previamente dentro do banco.
Nos depoimentos, os servidores afirmam que “haviam sinais de intencionalidade” nas operações analisadas, o que levanta suspeitas de fraude. Os funcionários também afirmaram que vinham alertando há tempos sobre os riscos de irregularidades, mas que foram completamente ignorados pela diretoria responsável.
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Os servidores eram subordinados ao então diretor de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo de Garcia Junior, que deixou o cargo após a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em novembro do ano passado. Funcionários da área afirmaram à autoridade que ele foi alertado sobre os riscos, mas o ex-diretor negou ter conhecimento de irregularidades ou de que a operação fosse perigosa.
Ainda segundo os relatos, mecanismos de controle, defesa e fiscalização, além de práticas de compliance, chegaram a ser sugeridos, mas não foram adotados. Há também indicação de tentativa interna de evitar que o caso chegasse ao Banco Central, o que reforça a suspeita de ação deliberada.
Na avaliação dos investigadores, os depoimentos enfraquecem a hipótese de falha técnica e reforçam a linha de apuração sobre fraude estruturada. As declarações apontam para a existência de um possível caminho pavimentado para fraudes, com indícios de que alertas técnicos foram ignorados de forma recorrente.
Após a revelação do caso, o BRB promoveu uma troca completa em sua diretoria como resposta à crise, inclusive com o afastamento do então presidente, Paulo Henrique Costa.
Mais recentemente, o banco adiou a divulgação ao mercado dos resultados referentes ao ano de 2025 e que poderiam demonstrar na prática o tamanho do rombo causado pelas negociações com o Master.
Autor: Gazeta do Povo




















