domingo, dezembro 28, 2025

Silvinei Vasques é preso no Paraguai em tentativa de fuga – 26/12/2025 – Política


O ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) Silvinei Vasques foi preso nesta sexta-feira (26) no Paraguai enquanto tentava fugir, segundo a Polícia Federal.

Ele foi condenado neste mês a 24 anos e seis meses de prisão pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) como participante de um dos núcleos da trama golpista do governo Jair Bolsonaro (PL).

Os ministros o consideraram culpado de cinco crimes, inclusive o de tentativa de golpe de Estado, após ele promover blitze em locais com predominância de eleitores de Lula (PT) no dia do segundo turno das eleições de 2022.

Silvinei foi preso no aeroporto de Assunção quando tentava embarcar em voo internacional para El Salvador com um passaporte paraguaio falso. Ele teria rompido a tornozeleira eletrônica em Santa Catarina, e a suspeita é que tenha ido de carro para o Paraguai.

Segundo integrantes da PF, quando o equipamento foi rompido, a corporação acionou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e houve a decretação da prisão preventiva.

A PF detectou uma falha no monitoramento às 3h de quinta-feira (25), dia do Natal. De acordo com relatos dos agentes, naquele horário, a tornozeleira parou de transmitir o sinal de GPS.

Silvinei teria usado um carro alugado para sair do prédio em que morava, na cidade de São José (SC), em direção ao Paraguai. Vestindo calça de moletom, camiseta e um boné, ele levou até o veículo bolsas, tapetes higiênicos para cachorros e um cachorro da raça pitbull.

A primeira equipe acionada para verificar a perda de sinal da tornozeleira foi a Polícia Penal de Santa Catarina, por volta das 20h de quinta. Silvinei já não estava em seu apartamento.

Por volta das 23h, uma equipe da Superintendência Regional da Polícia Federal no estado se dirigiu ao local.

A PF obteve imagens do circuito interno de TV do prédio e identificou que Silvinei estava usando um veículo em nome de uma empresa de aluguel de veículos.

Segundo a decisão que determinou a prisão do ex-diretor, ele foi visto no local até as 19h22 do dia 24, na véspera do Natal.

Pela sequência de imagens, às 19h06 ele colocou bolsas no porta-malas do carro. Por volta de 19h14, colocou mais pertences no banco de trás (inclusive ração e muitos sacos de tapete higiênico para cães), pelo lado do passageiro. Às 19h22, foi para o carro carregando potes para ração e conduzindo o cachorro e saiu.

Na ocasião, estava de calça de moletom preta, camiseta cinza da marca Puma e um boné preto também da Puma.

Já em Assunção, tentou embarcar em um voo para El Salvador portando um passaporte paraguaio emitido em nome de Julio Eduardo Baez Fernandez. Ele também levava uma carta na qual dizia não escutar ou falar e afirmava que iria para El Salvador para um tratamento médico. A informação foi revelada pelo portal UOL e confirmada pela Folha.

No texto, Silvinei dizia que tinha um câncer no cérebro que o impediria de falar, ouvir e ver e que só poderia se comunicar por escrito. O documento afirmava que um tratamento médico em Foz do Iguaçu tinha tido como efeitos colaterais a cegueira e a surdez.

Mesmo condenado pelo STF no dia 16 de dezembro, Silvinei continuava em liberdade porque ainda estava em curso o prazo para a apresentação de recurso. Ele usava tornozeleira eletrônica desde que deixou a prisão, em 2024, e tinha o passaporte cancelado.

Após a prisão, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, telefonou para o ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera Escudero, para acelerar o processo de extradição.

O ex-diretor foi entregue para a Polícia Federal brasileira nesta própria sexta (25).

Eduardo Nostrani, advogado do ex-diretor da PRF no Supremo, diz que tomou conhecimento da fuga na manhã desta sexta-feira. A atuação em nome de Silvinei no Paraguai está a cargo de um advogado local, ainda não identificado pela defesa.

O ex-diretor da PRF foi acusado de integrar um grupo de auxiliares de Bolsonaro que tinham cargos estratégicos e, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), articularam medidas para viabilizar um golpe de Estado.

Ttambém foram condenados nesse núcleo Filipe Martins (ex-assessor internacional da Presidência), Marcelo Costa Câmara (ex-assessor da Presidência), Marília Ferreira (ex-integrante do Ministério da Justiça) e Mário Fernandes (general da reserva e ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência).

Outros casos

A fuga de Silvinei se soma a outras de bolsonaristas como o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e participantes dos atos golpistas do 8 de Janeiro.

Condenado a mais de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Ramagem fugiu para os Estados Unidos e teve seu mandato de deputado federal cassado pela Câmara. O ministro Alexandre de Moraes também reabriu o processo contra o deputado, o que pode aumentar sua pena.

Já Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão, além da perda do mandato, por invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), com o auxílio do hacker Walter Delgatti Neto, que também foi condenado.

Ela está presa na Itália desde julho, após ter passado pelos Estados Unidos. Na semana passada, o STF decidiu pela cassação de seu mandato, depois de a Câmara dos Deputados ter optado por manter a parlamentar no cargo.



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