As manifestações de uma reunião do STF a portas fechadas, que selou a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, vazaram na imprensa. O site Poder 360 reproduziu frases inteiras que magistrados teriam dito. Pela fidelidade com que as frases foram citadas, os ministros declararam, nos bastidores, suspeitar terem sido gravados pelo ministro Dias Toffoli, segundo noticiou a Folha de S.Paulo.
De acordo com o Poder 360, o tom da reunião teria sido “político” e com um objetivo de “autopreservação” dos magistrados. O placar por manter a relatoria com Toffoli seria de 8 a favor e 2 contra, mas ele teria aceitado sair da relatoria em troca de uma nota de apoio com a unanimidade dos ministros – uma ideia que, segundo a reportagem, teria partido de Flávio Dino. Dino e Toffoli têm uma relação de décadas.
A versão de um acordo corporativista foi reforçada pelas declarações de Toffoli ao sair do tribunal, dizendo que foi “tudo unânime” e que o encontro teria transcorrido em clima “excelente”. Muitas reclamações de desconforto sobre a atuação da Polícia Federal teriam marcado as conversas.
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Toffoli declarou à colunista da Folha Mônica Bergamo que não gravou e não relatou “nada para ninguém”. Em seguida, trouxe uma suspeita de que algum funcionário do setor de informática poderia ter feito a gravação. A Gazeta do Povo entrou em contato com a assessoria de comunicação do STF e aguarda resposta.
Impasse evitado com acordo de Dino
O Poder 360 relatou que, em uma primeira reunião com menos ministros, no começo da tarde de quinta-feira (12), Moraes e Gilmar Mendes teriam declarado que votariam a favor de manter Toffoli na relatoria do caso Master, ao que Carmen Lúcia e Edson Fachin teriam se manifestado contrários. Com o impasse, o assunto só seria resolvido em uma votação em plenário nesta sexta.
Os trechos que levantaram a suspeita de vazamento seriam frases inteiras, como a de Gilmar Mendes, que teria dito: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”.
Taxistas contra o Supremo
Já Carmen Lúcia teria dito que todo taxista com quem conversa “fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. E que, apesar de ter confiança no ministro Toffoli, seria preciso “pensar na institucionalidade”.
Ainda de acordo com reportagem do Poder 360, Luiz Fux teria dito “o ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”. Já Dino teria chamado as 200 páginas de provas da PF de “lixo jurídico”.
Diversos outros ministros teriam se manifestado a favor de Toffoli, o que passou como tônica desta reunião. Sendo todas as falas reproduzidas favoráveis ao ministro, surgiu a hipótese de que ele teria gravado a reunião com os colegas, uma flagrante “quebra de confiança”, segundo os colegas. Toffoli negou vigorosamente, se dizendo “discreto”.
Mesmo assim, os ministros acabaram concluindo nesta reunião que, para garantir o que chamaram de “institucionalidade”, o melhor para a Corte seria a solução proposta por Dino de Toffoli ser afastado da relatoria do caso Master e a mesma passar ao sorteio, que acabou definindo André Mendonça como novo relator.
Autor: Gazeta do Povo





















