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Sob Trump, Coca-Cola foca raiz americana de CEO brasileiro – 13/12/2025 – Mercado

A publicidade da Coca-Cola sempre deixou claro que seu principal produto é “o verdadeiro”. Agora, o gigante das bebidas quer que o público saiba que seu novo chefe é um americano de verdade.

No comunicado divulgado na quarta-feira (10), que anunciou Henrique Braun como o sucessor de James Quincey no comando da companhia, a Coca-Cola afirmou que Braun “é cidadão americano, nascido na Califórnia e criado no Brasil”. O executivo tem dupla cidadania.

A menção à cidadania de Braun é incomum para uma empresa sediada nos Estados Unidos e levantou a dúvida sobre se a referência teria motivações geopolíticas —especialmente depois de o presidente Donald Trump ter se envolvido neste ano em assuntos tanto da Coca-Cola quanto do Brasil.

“Dada esta administração e a controvérsia em torno da imigração, eles estão se precavendo de todas as formas”, disse Charles Elson, especialista em governança corporativa. “Neste ambiente em que há um forte movimento do ‘feito nos Estados Unidos’, você deixa claro que seu CEO foi feito na América.”

A Coca-Cola se recusou a comentar por que mencionou a cidadania de Braun.

Trump, cujo apreço pela Coca Diet é tão grande que, segundo relatos, há um botão em sua mesa para pedir a bebida, também tem demonstrado interesse na estratégia da empresa. Em julho, ele sugeriu que a Coca-Cola teria “concordado” em substituir o xarope de milho de alta frutose por açúcar de cana em sua principal linha nos EUA, o que gerou especulações e provocou queda nas ações da refinadora de milho Archer-Daniels-Midland.

Dias depois, a empresa informou que lançaria uma nova variante adoçada com açúcar, fazendo o anúncio na Fox, o canal de notícias preferido da atual administração.

O Brasil também tem atraído a atenção de Trump. O presidente ameaçou impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a encerrar o que Trump chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump posteriormente condenado por liderar um golpe. No entanto, depois disso, Trump recuou, isentando dezenas de produtos alimentícios brasileiros das tarifas mais altas e garantindo uma vitória política a Lula.

Trump também adotou medidas para reformular a política migratória dos EUA, revogando milhares de vistos e buscando suspender “permanentemente” a migração a partir de determinados países.

Esses episódios, somados ao lema “America First” da administração Trump, podem ter levado a Coca-Cola a concluir que seria mais seguro deixar clara a nacionalidade de Braun tão clara quanto uma garrafa de Coca-Cola. Sediada em Atlanta, mas com operações globais amplas, a empresa serve cerca de 2 bilhões de bebidas por dia em mais de 200 países e territórios. No ano passado, a América do Norte respondeu por menos de um quinto do volume total vendido pela companhia.

Ao longo dos anos, os CEOs da Coca-Cola vieram de países como Irlanda e Austrália, além do Reino Unido, que é o caso de Quincey. O ex-CEO Muhtar Kent nasceu em Nova York, mas foi criado na Turquia, enquanto Roberto Goizueta nasceu em Cuba e se tornou cidadão americano.

O australiano Doug Daft, que assumiu o posto em 2000, simbolizou o desejo da empresa de olhar além de suas origens americanas, segundo Jonathan Feeney, analista veterano do setor de bens de consumo e hoje consultor corporativo. A sequência de executivos nascidos fora dos EUA torna as origens americanas de Braun “particularmente dignas de nota”, afirmou Feeney. “É um detalhe interessante que não ficaria claro se eles não o mencionassem.”

Quando Quincey foi nomeado CEO em 2016, substituindo Kent, sua origem inglesa não foi mencionada.

Quaisquer que tenham sido as motivações da Coca-Cola, “isso é o tipo de coisa que se precisa fazer”, disse Paul Argenti, especialista em comunicação corporativa da Tuck School of Business, da Dartmouth College. “Vivemos tempos malucos.

Colaboraram Rachel Gamarski e Kristina Peterson

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