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Solteira e infeliz: devo ir ao casamento da minha amiga? – 24/05/2026 – Equilíbrio

Uma leitora mandou a seguinte pergunta à seção Ask the Therapist (pergunte à terapeuta), do jornal The New York Times: uma das minhas amigas mais queridas vai se casar. Será o segundo casamento para os dois, e todos temos 40 e poucos anos. A data provavelmente vai coincidir com minha viagem anual para ver minha banda favorita em uma das minhas cidades preferidas, uma tradição que mantenho com outra amiga querida há anos.

Acho que deveria ir ao casamento, porque minha amiga ficaria magoada se eu não fosse, e eu me sentiria culpada. Mas também me sentiria culpada por deixar minha outra amiga na mão no fim de semana do show —e ressentida por perder meu final de semana favorito do ano por causa de um casamento, um evento que tem um peso emocional grande para mim.

Sou solteira, e a solidão e as decepções amorosas foram constantes na minha vida adulta. No ano passado, vivi um pesadelo em uma renovação de votos coletiva. Foi doloroso ouvir várias declarações de amor e compromisso quando minha própria trajetória tem sido solitária. Depois disso, disse a mim mesma que nunca mais iria a um casamento.

Se o casamento da minha amiga fosse em qualquer outro fim de semana, eu me esforçaria e estaria lá. Mas, diante do conflito com um final de semana que espero o ano todo, como decido? E como abordo o assunto com a noiva, que tem empatia pelas minhas dificuldades de solteira?

Resposta de Lori Gottlieb: Você parece estar pensando no que significa estar presente para sua amiga que vai se casar, mas quero que você considere o outro lado também: o que significa para ela estar presente para você enquanto você enfrenta as dificuldades de ser solteira.

Vamos começar pelo lado dela. Muitas pessoas não entendem a dor da solidão crônica —especialmente como ela pode ser ativada com tanta facilidade no dia a dia (ver um casal andando de mãos dadas na rua, preencher um formulário que pergunta estado civil) e em ocasiões específicas, como casamentos.

Curiosamente, muitas pessoas têm mais facilidade em compreender uma mulher que enfrenta infertilidade e opta por não ir ao chá de bebê de uma amiga do que uma mulher que sofre com a solidão e opta por não ir ao casamento. Isso pode ser porque a primeira situação parece mais concreta e temporária.

Já a experiência de décadas desejando encontrar um parceiro, sem saber se isso vai acontecer, é mais difícil de entender. Algumas pessoas podem até julgar quem falta ao casamento de uma amiga querida “só porque é solteira”. Mas temer assistir a outras pessoas —mesmo aquelas de quem você gosta profundamente— declararem seu amor não te torna egoísta. Te torna humana.

Parece que sua amiga tem alguma compreensão dessa dor, o que facilitará a conversa, seja qual for sua decisão. Mas, antes, tente reformular o dilema: pense menos em “vou ao casamento por ela ou ao show por mim?” e mais em “que tipo de presença posso oferecer à minha amiga?”.

Se você for ao casamento, iria como alguém genuinamente animada para celebrar a alegria dela? Isso seria um bom motivo para ir. Ou iria como alguém sobrecarregada de ressentimento e tristeza —fisicamente presente, mas emocionalmente ausente? Nesse caso, você pode fazer tudo certo —fazer um brinde, aparecer nas fotos, se forçar a dançar— mas, se estiver passando um momento péssimo, esse talvez não seja o tipo de presença que honra sua amiga.

Considere como poderia celebrar o casamento dela de uma forma que seja menos dolorosa e mais autêntica. Talvez você escreva uma carta bonita e sincera que reflita o vínculo de vocês, ou escolha um presente pessoal e significativo. Talvez a leve a um jantar especial ou a uma atividade que as duas curtam e faça uma celebração particular, sem os gatilhos de uma cerimônia. Existem diferentes formas de estar presente, e a mais genuína costuma ser a mais valorizada.

Quanto à culpa, ela provavelmente vai aparecer de qualquer jeito —mas sentir culpa não significa ter agido errado. Você tem o direito de buscar alegria, de se proteger e, ao mesmo tempo, amar sua amiga. Lembre-se, sua tarefa é responder a esta pergunta da forma mais honesta possível: que tipo de presença posso oferecer à minha amiga? Depois, faça uma escolha que a respeite e reconheça as circunstâncias emocionais reais que você enfrenta.

Se decidir não ir, pode ser honesta: “Estou muito feliz por você e quero que saiba o quanto você é importante para mim. Ao mesmo tempo, você sabe como me sinto em relação à solidão e a não ter encontrado um parceiro, e preciso cuidar de mim nesse sentido”.

Explique por que o ritual anual do show é tão importante para o seu bem-estar, como é para você participar de casamentos e como gostaria de celebrar o casamento dela de uma forma mais confortável e autêntica.

Ao ser honesta, você dá a ela a chance de também estar presente para você —o que, no fim das contas, é a essência de uma amizade forte.

Autor: Folha

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