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Spoofing: veja como se proteger de números falsos – 11/04/2026 – Tec

O governo federal discute a implementação de um sistema de verificação de chamadas para conter fraudes por telefone no Brasil por meio de credenciais digitais.

Trata-se de uma tentativa de frear golpes que usam técnicas como o spoofing, que falsifica números de telefone para enganar vítimas. A prática permite que golpistas façam ligações que parecem vir de empresas ou até contatos conhecidos.

A seguir, veja como identificar e se proteger desse tipo de golpe.

Como funciona o spoofing?

As empresas de cibersegurança Kaspersky e Eset Brasil afirmam que, o spoofing de ligações ocorre quando o número exibido no celular não corresponde ao verdadeiro autor da chamada, ou seja, o golpista consegue ter acesso a um número aparentemente confiável.

Pode ser um número parecido com o destinatário (golpe da “vizinha”), o telefone de um banco ou empresa real ou até um contato conhecido falsificado. Segundo um estudo do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), brasileiros recebem mais de 1 bilhão de ligações abusivas por mês. Apenas em 2025, foram registradas 161,16 bilhões de chamadas curtas de até seis segundos, muitas delas usadas por robôs para validar números ativos antes de novas investidas comerciais.

A técnica costuma usar tecnologia VoIP (Voz sobre Protocolo de Internet) para simular números locais ou conhecidos. O uso dessa tecnologia, em si, não é um crime, e costuma ser usado por empresas que precisam realizar várias ligações pelo mesmo número por dispositivos diferentes, ou por policiais e jornalistas que não querem ser identificados.

O problema maior começa quando criminosos utilizam a tecnologia para enganar pessoas. Ao atender, a vítima é induzida a fornecer informações sensíveis, como CPF, senhas ou códigos, ou a realizar transferências.

Segundo a Kaspersky, esse tipo de ataque geralmente envolve técnicas de engenharia social, ou seja, manipulação psicológica para levar a vítima a agir sem desconfiar.

Segundo a Eset Brasil, o ataque só funciona porque o criminoso consegue primeiro gerar confiança —e depois explorar isso para obter dados ou dinheiro.

Para se proteger, evite atender números desconhecidos

Evite atender números desconhecidos

Uma das formas mais simples de se proteger é não atender ligações de números não listados nos contatos, especialmente fora do padrão habitual.

Segundo a Kaspersky, atender chamadas de spam pode fazer com que seu número seja identificado como “ativo”, aumentando o volume de tentativas de golpe. Se for importante, a pessoa tende a deixar mensagem ou tentar outro contato.

A empresa também alerta para as chamadas silenciosas —quando ninguém responde ou há apenas um “alô” genérico. Esse tipo de ligação pode ser usado para mapear horários em que a pessoa atende e até coletar amostras de voz para golpes mais sofisticados.

Nunca forneça dados pessoais por telefone

Empresas e bancos raramente solicitam informações sensíveis por ligação. Por isso, desconfie imediatamente se alguém pedir senhas ou códigos de verificação, dados bancários, confirmação de transações e transferências urgentes.

A recomendação é desligar e entrar em contato com a instituição por canais oficiais. Também é importante nunca compartilhar códigos recebidos por SMS, mesmo que o atendente diga que são necessários para “cancelar” uma operação.

Desconfie de urgência ou pressão

Golpistas costumam criar situações de urgência para evitar que a vítima pense com calma. Frases como “sua conta será bloqueada agora”, “há uma compra suspeita acontecendo” e “precisamos confirmar seus dados imediatamente” são sinais clássicos de fraude.

Especialistas afirmam que esse tipo de pressão é um dos principais elementos de engenharia social usados em golpes.

Entre as abordagens mais comuns identificadas pela Kaspersky estão falsas centrais bancárias, supostos problemas na conta, ameaças envolvendo familiares, prêmios inexistentes e cobranças ou entregas falsas.

Use recursos de bloqueio e identificação de chamadas

Verifique se sua operadora oferece serviços de identificação ou bloqueio de chamadas suspeitas, como o “Não me Perturbe” da Anatel ou o “Não me Ligue” do Procon-SP.

Também é possível usar aplicativos privados que filtram spam —embora, como alerta a Kaspersky, isso envolva o compartilhamento de alguns dados.

Além disso, aplicativos de identificação de chamadas permitem

Apps de identificação de chamadas também permitem que usuários classifiquem números como suspeitos, o que ajuda a proteger outras pessoas ao alimentar bases coletivas de dados.

Mesmo que você perceba que se trata de um golpe, o ideal é não prolongar a conversa. Qualquer interação pode confirmar que seu número está ativo ou abrir espaço para manipulação. A orientação é desligar imediatamente.

A recomendação vale também para mensagens ou ligações insistentes: não retorne chamadas suspeitas nem siga instruções fornecidas durante o contato. Se possível, bloqueie os números por meio das funções da própria operadora ou telefone celular.

Mantenha seus dispositivos e contas protegidos

Embora o golpe aconteça por telefone, ele pode estar ligado a outras fraudes digitais.

Por isso, especialistas recomendam:

Outra orientação é nunca instalar aplicativos indicados por desconhecidos durante ligações, especialmente ferramentas de acesso remoto, que podem permitir o controle total do celular pelo criminoso.

Fique atento a sinais de fraude

Alguns indícios comuns de spoofing incluem:

  • ligações de números muito parecidos com o seus contatos
  • contatos que dizem ser de empresas, mas pedem dados incomuns
  • erros de linguagem ou informações inconsistentes
  • pedidos inesperados de dinheiro ou confirmação de dados

Também é recomendável desconfiar de contatos que mencionam dados pessoais corretos —como CPF ou endereço—, já que essas informações podem ter sido obtidas em vazamentos e usadas para tornar o golpe mais convincente.

Denuncie e ajude a evitar novos golpes

Especialistas recomendam denunciar chamadas suspeitas a operadoras ou órgãos de defesa do consumidor. Esse tipo de ação ajuda a mapear fraudes e reduzir o alcance dos criminosos.

É possível formalizar reclamações por meio do portal Consumidor.gov, do governo federal.

“Bloquear chamadas indesejadas é apenas parte da solução. O real desafio é a educação digital ensinar os usuários a identificar sinais de fraude, desconfiar de contatos inesperados e adotar práticas seguras de comunicação”, afirma Fábio Assolini, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky para a América Latina e Europa.

Autor: Folha

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