Ainda adolescente, Fabrício Balieiro conheceu um cabeleireiro surdo. O encontro despretensioso no salão de beleza acabou ditando seu futuro. Foi a partir daquele momento que passou a buscar conhecer a Libras (Linguagem Brasileira de Sinais).
Por intermédio do grupo religioso Testemunhas de Jeová, conseguiu aprender e decidiu fazer da prática sua missão de vida. Foram 24 anos de dedicação como professor e intérprete.
Foi pioneiro no arquipélago do Marajó. Em 2011, a partir de uma conversa entre amigos, criou o Grupo Mãos de Ouro, em Breves (PA). Inicialmente, a ideia era fazer apresentações, mas o projeto cresceu e virou um instituto de promoção à igualdade em 2014.
Passaram a realizar um trabalho de assistência social. Além de promover a linguagem, também faziam entrega de cestas básicas, medicamentos e sopa pela cidade. Chegaram até a fazer construção de casas. E o trabalho alcançou famílias carentes além da comunidade surda.
Seu trabalho de tradutor e intérprete ajudou no atendimento em muitos órgãos, como Cras, Creas, conselho tutelar, delegacias e tribunais.
Dividia-se entre dar aulas no instituto pela manhã e ser professor de apoio pedagógico em uma escola municipal pela tarde.
“A rotina dele sempre foi bastante intensa, gostava da vida agitada. Vivia para tentar ajudar o máximo de pessoas e lutava diariamente para levar o instituto em frente mesmo com as inúmeras dificuldades”, afirma sua mulher, Yasmin Kevely Moura da Silva, 24.
Fabricio Martins Balieiro nasceu em 1986, em Breves, onde cresceu com quatro irmãos. O quinto viria a conhecer só em 2025.
Das memórias de infância, guardava o carinho da avó Maria. Contava que ela fora a responsável por ensiná-lo a ter respeito e empatia pelos outros.
Precisou trabalhar ainda novo para ajudar no sustento de casa. Atuou em lojas de confecção, tecidos, padarias e madeireiras.
Mesmo começando a estudar um pouco tarde, conseguiu muitos títulos. Entre eles, uma licenciatura em letras/Libras e uma graduação em pedagogia. Também fez especialização em Libras, braille e fundamentos da educação inclusiva. E era mestre em estudos da linguagem pela Universidade de Londrina.
Entre seus hábitos, estava andar de moto diariamente com a mulher, ouvindo músicas e com a brisa no rosto até o final da estrada da cidade.
Gostava de reunir amigos, dançar e cantar no karaokê. Assistia a muitos filmes, principalmente os da Marvel, e era fã declarado da turma do Chaves.
Hora ou outra, estava registrando o que via em fotos e vídeos. A maioria dos arquivos era de animais, uma de suas paixões.
Fabrício sofreu um acidente de moto no dia 30 de novembro e morreu no último 6 de dezembro, aos 39 anos, em decorrência de um choque séptico.
Deixa a mãe, Darcy, e a mulher, Yasmin, além de cinco irmãos e dois sobrinhos.
Autor: Folha








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