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Super Bowl chega à 60ª edição com mudanças e show sob ICE – 07/02/2026 – Esporte

O Super Bowl completa 60 edições neste domingo (8) cercado por disputas que vão além do placar. Enquanto New England Patriots e Seattle Seahawks se enfrentam em campo, a NFL (National Football League, a liga do futebol americano dos EUA) vive um momento de tentativa de expansão fora dos Estados Unidos, mudanças no calendário e um pano de fundo político que transformou o maior palco esportivo e cultural do país.

Dentro de campo, a temporada marca o retorno dos Patriots ao Super Bowl após um longo hiato desde a era Tom Brady. A equipe teve no ano passado uma das piores campanhas do campeonato, venceu apenas quatro partidas e passou por um processo acelerado de reconstrução.

O principal símbolo dessa virada é o jovem Drake Maye, que, aos 23 anos, pode se tornar o quarterback mais jovem a ganhar o campeonato. Segundo o narrador e comentarista de futebol americano Rodrigo Lazarini, o feito é ainda mais expressivo por se tratar da reinvenção do time que mais vezes disputou a final.

Já o Seattle Seahawks chega embalado pela melhor defesa da temporada, avalia Lazarini. Mesmo com um quarterback recém-chegado, Sam Darnold, a equipe teve a melhor campanha e passou pelos playoffs com autoridade.

“É um time que atropelou todo o mundo para chegar ao Super Bowl, muito por conta da defesa”, afirmou o comentarista. Para ele, o equilíbrio entre o ataque jovem dos Patriots e a solidez defensiva dos Seahawks deve resultar em uma final apertada.

A decisão também reacende a memória de um Super Bowl disputado há 11 anos, quando Patriots e Seahawks se enfrentaram em uma final histórica decidida no último lance. Para Lazarini, o retrospecto e o momento atual colocam os Seahawks com leve favoritismo.

Fora das quatro linhas, a NFL vive um momento de expansão agressiva. A liga discute a ampliação da temporada classificatória de 17 para 18 jogos, proposta defendida pelos donos dos times e criticada pela associação de jogadores, que alerta para o impacto físico em um esporte de alto contato. O comissário Roger Goodell tem reiterado que a discussão passa, sobretudo, por questões financeiras. Mais jogos significam mais receitas —de ingressos, direitos de transmissão e publicidade.

Esse movimento se conecta diretamente à internacionalização do campeonato. A NFL anunciou a ampliação do número de jogos fora dos Estados Unidos, passando de sete para nove partidas internacionais.

Além de países europeus, como França, a liga também planeja jogos na Austrália. O Brasil aparece como um dos mercados estratégicos dessa expansão. Os jogos realizados em São Paulo nos dois últimos anos tiveram ingressos esgotados, o que levou a NFL a planejar a transferência das partidas para o Rio de Janeiro, em razão da maior capacidade do estádio do Maracanã.

A estratégia vai além dos jogos. A liga mantém agências locais responsáveis por redes sociais, produção de conteúdo e ações de marketing em países como Brasil, México, França e Espanha. A aposta inclui o crescimento do flag football, modalidade de menor impacto físico que fará parte dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, e que já recebe investimentos da NFL em campeonatos regionais fora dos Estados Unidos.

O Super Bowl deste ano também será marcado por manifestações políticas. O show do intervalo ficará a cargo de Bad Bunny, uma semana após o artista ter gritado “ICE out” (“fora, ICE”), em referência à polícia de imigração dos Estados Unidos, durante a cerimônia do Grammy. Segundo o jornal New York Times, não há planos para uma presença policial reforçada ao redor do estádio, apesar do histórico recente de protestos ligados a temas migratórios e de segurança.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar de ter comparecido à final do campeonato da liga universitária, não vai marcar presença no maior evento do ano dos Estados Unidos.

A justificativa é que a Califórnia, estado de governo democrata, fica muito longe do presidente, que costuma passar os finais de semana em seu resort em Mar-a-Lago, na Flórida. Ele também já se colocou contra o artista que fará a apresentação mais aguardada do ano. “Acho uma escolha terrível. Tudo o que isso faz é semear ódio”, disse.

Enquanto qual time terá a torcida do presidente é informação guardada a sete chaves, não é segredo que ele pretende trocar de canal no intervalo.

Em vez de observar a performance de Bad Bunny, como já adiantou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, “o presidente prefere muito mais o show do Kid Rock”. Em um retrato da América dividida, haverá um show paralelo com Rock e outros artistas alinhados a Trump.

Autor: Folha

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