Todo Super Bowl assume a cultura da cidade que o sedia. South Beach em Miami. O French Quarter em Nova Orleans. Hollywood em Los Angeles.
Não será diferente no domingo, quando o New England Patriots e o Seattle Seahawks se enfrentarem no Levi’s Stadium em Santa Clara, Califórnia, no coração do Vale do Silício, a uma hora de carro ao sul de San Francisco. A proximidade com algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, firmas de capital de risco e empresas de entretenimento garantirá a presença de um verdadeiro desfile de executivos corporativos, celebridades e aqueles que esperam se aproximar deles.
“O Super Bowl na Bay Area é a justaposição perfeita de ‘Ballers’ com ‘Billions’ e ‘Silicon Valley'”, disse Venky Ganesan, sócio da Menlo Ventures, uma firma de investimentos do Vale do Silício. “Assim como nessas três séries, todos os personagens que tornam essas caricaturas reais estão aparecendo no estádio.”
Ganesan disse que planejava assistir ao jogo como convidado junto com vários amigos “proeminentes” do mundo da tecnologia, embora tenha se recusado a nomeá-los. O jogo, segundo ele, é irresistível em seus círculos profissionais.
O Super Bowl no Vale do Silício “são bilionários da tecnologia que eram escolhidos por último nas aulas de educação física pagando US$ 50 mil para fingir que são amigos dos caras que eram escolhidos primeiro”, disse ele. “E para constar, eu também era escolhido por último na educação física.”
Espera-se que alguns desses titãs da tecnologia sejam Neal Mohan, CEO do YouTube, que paga à NFL pelo menos US$ 2 bilhões por ano para transmitir o pacote de jogos Sunday Ticket, que estará no camarote do comissário da NFL, Roger Goodell; Eddy Cue, vice-presidente sênior de serviços da Apple —que patrocina o show do intervalo— e seu chefe, Tim Cook; e Alan Waxman, CEO do grupo de private equity sediado em San Francisco, Sixth Street, que comprou 3% do Patriots em novembro.
O piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton e Justin Bieber também devem comparecer.
Alguns começaram as celebrações pré-jogo mais cedo. Na sexta-feira (6) à noite, as ruas da Embarcadero, a via à beira-mar de San Francisco, estavam congestionadas com Waymos autônomos, muitos transportando passageiros para festas patrocinadas por empresas. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, passou pela festa FanDuel x Spotify no Pier 29, conversando com executivos de tecnologia na área VIP enquanto o Green Day tocava um set de uma hora. Empresas como Uber e Fanatics promoveram apresentações de Olivia Dean, Cardi B e SZA que continuaram no sábado.
Para quem está na lista A da Bay Area, conseguir um ingresso para o jogo envolve pouco mais do que um telefonema. Mas para quase todos os outros, conseguir um ingresso será mais difícil do que o normal porque muitos fãs endinheirados, patrocinadores da liga e detentores de direitos estão concentrados na Califórnia. Torcedores de ambos os times também querem testemunhar seus heróis levantando o Troféu Lombardi, e os fãs que moram na região têm uma rara chance de assistir ao Super Bowl em seu próprio quintal.
Outra restrição para conseguir ingressos: espaço precisa ser reservado para câmeras de televisão adicionais, milhares de pessoas da mídia, cabines para transmissores internacionais e segurança extra. A capacidade para o jogo de domingo será de cerca de 65 mil em vez dos 70 mil ingressos normalmente disponíveis para jogos da temporada regular.
Apenas cerca de um quarto dos ingressos está disponível para o público geral, com o restante indo para os times da NFL.
O Patriots e o Seahawks receberam 17,5% dos ingressos, ou 11.375 por time. O time anfitrião —o San Francisco 49ers— recebeu outros 5%, ou cerca de 3.200 ingressos. Os outros 29 times da NFL receberam 1,2% cada, ou 34,8% no total, dos assentos disponíveis. São outros 22.500 ingressos.
Os times usam os ingressos de várias maneiras. O proprietário, executivos seniores do time e jogadores compram muitos deles. Os times são obrigados a disponibilizar pelo menos 35% de seus ingressos para detentores de ingressos de temporada.
Isso deixa apenas 16.380 ingressos, ou pouco mais de 25% do estádio, para todos os outros, e os preços não são baratos. Até sexta, o preço médio de revenda de ingressos para o jogo era de US$ 6.687, de acordo com a SeatGeek, uma revendedora de ingressos no mercado secundário. O ingresso mais barato disponível era de US$ 4.237 com taxas.
A maior concentração de torcedores que compraram ingressos —27%— veio do vizinho estado de Washington. Torcedores da Califórnia formaram o segundo maior grupo, com 16%. Um bom número desses compradores mora em Los Angeles. Torcedores de Massachusetts representaram apenas 7% das vendas. Além da distância até a Califórnia, o Patriots jogou nove Super Bowls neste século, então alguns torcedores já riscaram o jogo de suas listas de desejos.
O preço dos ingressos no mercado secundário está cerca de 20% mais baixo do que neste mesmo período do ano passado, uma função da combinação de times e sua proximidade com a cidade do Super Bowl. Las Vegas, que sediou o jogo pela primeira vez há dois anos, teve ingressos excepcionalmente caros por causa da novidade de jogar lá.
Normalmente, os preços disparam depois que os times se classificam duas semanas antes do Super Bowl, e alguns detentores de ingressos tentam revender seus ingressos com grande lucro. Os preços então caem gradualmente até horas antes do jogo, quando compradores de última hora aparecem.
Pode haver mais deles este ano porque muitos torcedores ricos moram perto do estádio, disse Chris Leyden, diretor de marketing de crescimento da SeatGeek.
“Eles vão acordar na manhã de domingo e decidir ir”, disse ele. “Cinco mil dólares podem significar algo muito diferente para alguém em outra faixa de renda.”
A concentração de dinheiro, empresas poderosas e bom tempo na Bay Area praticamente garante que o Super Bowl voltará, disse Andy Dolich, que trabalhou para o Oakland A’s, Golden State Warriors e 49ers.
“Se a NFL tivesse olhado para o futuro e tivesse um jogo que é bicosteiro, tem grande história em um mercado que é o centro da tecnologia, com uma quantidade significativa de dinheiro e um time local que ganhou múltiplos Super Bowls, em um clima que faria as pessoas pensarem em se mudar, então o Super Bowl 60 funcionou bem.”
Autor: Folha








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