Em seu primeiro evento público após a mais recente crise com o clã Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) prometeu nesta sexta-feira (23) intensificar o apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e disse que nunca recebeu pressões do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“O [ex-]presidente nunca me pressionou. Nunca. Por nada. Nosso relacionamento sempre foi um relacionamento de amigo. Ele nunca me pediu nada, a única coisa que ele me pediu foi para ser candidato ao Governo do Estado de São Paulo“, disse, em evento para entrega de casas em Embu das Artes (Grande SP). “Não tem nada de pressão. Até porque, agora, a gente vai trabalhar muito em prol, aí, do Flávio Bolsonaro. Não vai ter problema nenhum quanto a isso”, completou.
Desde o começo da semana, ao marcar uma visita ao ex-presidente e depois cancelar, Tarcísio tem sido alvo de aliados bolsonaristas que questionam sua falta de apoio à candidatura de Flávio e acusam o governador de costurar uma candidatura própria à Presidência, o que ele nega.
Tarcísio apresentou uma versão para o cancelamento da visita que faria a Bolsonaro diferente dos relatos de aliados.
“O cancelamento é questão de agenda, não tem nada a ver. Quando você marca uma visita, o tribunal atribui uma data e pode acontecer de, naquela data, não ser possível por uma razão qualquer. Eu tinha uma razão pessoal, não podia ir naquela data, imediatamente pedi outra data para o Supremo, que já foi autorizada”, disse.
A visita de Tarcísio a Bolsonaro havia sido autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes na última segunda-feira (19). O pedido foi feito pela defesa de Bolsonaro, após um pedido do ex-presidente repassado pela ex-primeira-dama Michelle.
Apenas na terça-feira (20), após Flávio dizer à imprensa que a visita se daria para Bolsonaro enquadrar Tarcísio —dizendo que o governador não desistiria de tentar a Presidência—, é que Tarcísio decidiu cancelar a agenda.
Uma pessoa que participou da costura da data disse que, caso isso tivesse ocorrido, a defesa trocaria a data das visitas já autorizadas, uma vez que, além de Tarcísio, Bolsonaro havia pedido para ver outros dois aliados.
Tarcísio foi questionado três vezes sobre o que fez nesta quinta-feira (23) e quais compromissos o mantiveram em São Paulo, mas preferiu não responder.
O governador falou com a imprensa durante uma cerimônia de entrega de unidades habitacionais em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Entre outros políticos, ele estava acompanhado do ex-prefeito Ney Santos (Republicanos), que foi condenado a 3 anos de prisão em regime semiaberto em novembro passado por porte ilegal de arma.
Durante a coletiva, Tarcísio tratou como “especulação” as informações de que trabalha para construir uma candidatura presidencial.
“Sempre falei que meu candidato é o Bolsonaro ou quem ele indicar. Ele indicou o Flávio. Então, quem é meu candidato agora? É o Flávio. Então, não é nada diferente do que eu falo desde 2023. Agora, tem muita especulação e isso é normal porque o pessoal sempre vê o governador de São Paulo como uma figura presidenciável. Não vou apresentar uma carta de renúncia [em abril], disse.
Questionado, ele disse ainda que estava dando apoio enfático a Flávio. “Mais enfático do que isso?”, questionou.
Autor: Folha







