As novas tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, aos países europeus contrários à anexação da Groenlândia devem ter um impacto baixo no PIB. De acordo com o banco Goldman Sachs, as tarifas anunciadas poderiam reduzir, em média, de 0,1% a 0,2% o PIB real desses países.
Entre os países afetados estão Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. Trump afirmou que será cobrada uma tarifa de 10% sobre importações desses países a partir de 1º de fevereiro, aumentando para 25% caso não seja alcançado “um acordo para a compra completa e total da Groenlândia”.
As exportações dos países afetados para os EUA somam cerca de 270 bilhões de euros (R$ 1,62 trilhões) por ano, o equivalente a aproximadamente metade das exportações totais da União Europeia para o país.
Se a tarifa de 10% for aplicada de forma geral a todos os produtos exportados, o impacto seria de 3% a 3,5% do PIB em países como Alemanha, Holanda e Finlândia, e de 1,5% a 2% do PIB caso seja aplicada apenas aos produtos atualmente sujeitos a tarifas reciprocas dos EUA.
Para a zona do euro como um todo, a expectativa é de uma redução no PIB seria de 1% a 1,5%, enquanto para o Reino Unido a estimativa é de 1% a 2%.
No caso do Reino Unido, o relatório indica que o país provavelmente optaria por uma abordagem diplomática, evitando medidas de retaliação imediata e buscando negociações diretas com a administração americana.
O relatório do Goldman Sachs ressalta que, embora o efeito direto sobre a inflação seja pequeno, a medida poderia gerar uma série de retaliações da União Europeia.
Entre elas estão o atraso na implementação do acordo comercial da UE com os EUA, a imposição de tarifas de retaliação sobre produtos americanos e a ativação do chamado Instrumento Anti-Coerção, que permite medidas econômicas mais amplas, como restrições de investimento e taxação de serviços norte-americanos.
Essas retaliações, de acordo com a imprensa internacional, já estão sendo analisadas. De acordo com a Bloomberg, legisladores da União Europeia estão prestes a suspender a aprovação do acordo comercial da UE.
Ainda segundo a publicação,Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu, o maior grupo político do Parlamento Europeu, afirmou neste sábado (17) que um acordo com os EUA já não é possível.
O acordo comercial, firmado no ano passado, estabeleceu uma tarifa americana de 15% para a maioria dos produtos da UE em troca da promessa da UE de eliminar as tarifas sobre produtos industriais americanos e alguns produtos agrícolas. O acordo foi fechado na esperança de evitar uma guerra comercial declarada com Trump e já foi parcialmente implementado, mas ainda precisa da aprovação do Parlamento.
Outra medida de retaliação prevista é a imposição de tarifas de até 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) sobre produtos dos EUA ou restrições a empresas americanas no mercado europeu, segundo o Financial Times. As ações estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus maior poder de negociação durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, que acontece nesta semana.
Autor: Folha






