O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (8) impor novas tarifas aos produtos mexicanos caso o país vizinho não forneça mais água aos Estados Unidos em virtude de um acordo bilateral de distribuição.
Trump acusou o México de violar um tratado de 1944 segundo o qual os Estados Unidos compartilham água do rio Colorado em troca de água do rio Bravo, que atravessa a fronteira comum de 3.150 quilômetros entre os países.
“O México continua violando nosso tratado integral sobre a água”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, ao exigir que o país vizinho proporcione mais de 200 milhões de metros cúbicos de água aos Estados Unidos até o fim do ano, caso contrário enfrentará uma tarifa adicional de 5% sobre as exportações mexicanas.
“Quanto mais tempo o México demorar para liberar a água, mais prejudicará nossos agricultores”, acrescentou o presidente.
O tratado obriga os Estados Unidos a enviarem todos os anos 1,85 bilhão de metros cúbicos de água do rio Colorado (oeste) ao México.
Por sua vez, o México deve enviar aos Estados Unidos 432 milhões de metros cúbicos de água do rio Bravo (leste), chamado de Rio Grande no lado americano.
De acordo com o governo dos EUA, o México está atrasado com seu compromisso e acumula um déficit de mais de 1 bilhão de metros cúbicos nos últimos cinco anos.
“Essa violação prejudica gravemente nossas belas colheitas e o gado do Texas”, escreveu o presidente republicano nesta segunda-feira. “[É uma situação] muito injusta para nossos agricultores americanos, que têm grande necessidade dessa água”, acrescentou.
Horas antes, Trump havia anunciado um plano de ajuda de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) aos agricultores norte-americanos afetados pelas consequências das tarifas impostas a seus parceiros comerciais.
A nova ameaça ao México ocorre após vários diálogos nas últimas semanas entre Trump e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
Até agora, a presidente tem conseguido que Trump aceite não impor tarifas às exportações mexicanas, das quais 80% são destinadas aos Estados Unidos.
Em troca, o governo mexicano enviou militares à fronteira compartilhada e multiplicou as prisões para deter o tráfico de drogas aos Estados Unidos.





