Em meio à explosão das redes sociais, o uso da palavra “histórico” foi banalizado em favor do engajamento. Mas o triunfo de Hugo Calderano e Bruna Takahashi em um dos grand slams do tênis de mesa é no mínimo gigante, e recorrer a superlativos não parece exagerado para descrever essa conquista da dupla brasileira.
Primeiro duo não asiático a vencer um torneio do tipo, o casal acena a uma medalha nas Olimpíadas de Los Angeles, daqui a dois anos, desde que mantenha o ritmo da rápida ascensão na categoria. Nesta sexta (27), Calderano e Bruno derrotaram a dupla número 1 do ranking mundial, os sul-coreanos Lim Jong-hoon e Shin Yubin, no WTT Smash de Singapura, evento que figura entre os mais importantes do circuito mundial.
A vitória foi a segunda conquista do par. Antes, em Buenos Aires, no ano passado, venceram um torneio do WTT de menor expressão, o que já indicava uma melhora do desempenho da dupla, ainda mais depois de chegarem a uma final em Liubliana, na Eslovênia. Calderano e Bruna atuam juntos desde outubro de 2024.
Na vitória desta sexta, os brasileiros foram muito superiores e, mesmo no terceiro set, quando os coreanos ensaiaram uma reação, viraram a parcial para fechar a partida em 3 a 0. No caminho até a decisão, também derrotaram uma dupla forte, Wong Chun Ting e Doo Hoi Kem, de Hong Kong, atual número 4 do mundo.
Por coincidência, os dois pares derrotados pelos brasileiros nas fases finais em Singapura disputaram a medalha de bronze nas Olimpíadas de Paris-2024, com vitória do duo da Coreia do Sul, o que dá ainda mais valor para a conquista desta sexta. Ganhar uma medalha em Jogos é outra história, bem mais complicada, com muita pressão e a participação da melhor dupla chinesa no momento, o que não aconteceu agora.
É curioso que os dois maiores jogadores brasileiros na história da modalidade, sobretudo Calderano, que de longe é o maior atleta desse esporte no Hemisfério Sul, tenham conseguido o seu melhor resultado em um grand slam nas duplas mistas, não em competições individuais e após tão pouco tempo atuando juntos.
Calderano treina atualmente na Alemanha —anunciou há pouco que vai disputar a temporada 2027 da liga alemã pelo Saarbrücken, atual casa do chinês Fan Zhendong, ouro em Paris—, e Bruna, na França, o que na prática dificulta uma rotina de treinos mais frequente para as disputas em dupla. Assim, o triunfo na Ásia pode influenciar a formação de um plano para a disputa de uma medalha em Los Angeles nas duplas.
Até lá, eles precisam focar as competições individuais, principalmente Calderano, que depois de chegar às semifinais em 2024 tem condições de ir longe em mais uma edição dos Jogos e fazer história outra vez.
Autor: Folha




















