O ministro Dias Toffoli, relator do caso envolvendo o banco Master no Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal encaminhe, na íntegra, os dados de todos os celulares e mídias apreendidos e periciados no âmbito da investigação.
A determinação foi expedida após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório referente à perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, controlador do banco Master.
De acordo com as investigações, o nome de Toffoli foi citado em mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro. O conteúdo dessas mensagens não foi tornado público até o momento. Na decisão, o ministro determinou que a PF envie “o conteúdo integral de todos os aparelhos e mídias apreendidas”, bem como os laudos periciais completos, incluindo dados telemáticos, informáticos e telefônicos.
Entre pessoas próximas à investigação, a iniciativa foi interpretada como um movimento de reforço institucional após a entrega do relatório diretamente ao presidente do Supremo, enquanto ainda se aguarda definição sobre o encaminhamento técnico e jurídico do material.
Participação societária em empresa familiar
Nesta quinta-feira (12), o gabinete de Dias Toffoli divulgou nota oficial na qual o ministro esclarece sua participação societária na empresa Maridt e nega manter qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro.
Segundo a nota, Toffoli integra o quadro societário da Maridt, mas a administração da empresa é exercida por familiares. O gabinete afirma que a situação é compatível com a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que permite a magistrados participação societária e o recebimento de dividendos, vedando apenas a prática de atos de gestão.
O texto cita o artigo 36 da Lei Complementar nº 35/1979, segundo o qual o magistrado pode integrar o capital social de empresas e auferir rendimentos, desde que não exerça funções administrativas. De acordo com o gabinete, a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial de São Paulo, e é administrada pelos irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Toffoli.
Vínculo com o resort Tayayá
A nota também detalha a relação da Maridt com o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá. Segundo o gabinete, a empresa integrou o grupo até 21 de fevereiro de 2025, quando foi concluída sua saída por meio de duas operações.
A primeira ocorreu em 27 de setembro de 2021, com a venda de cotas ao Fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao banco Master. A segunda operação consistiu na alienação do saldo remanescente das cotas à PHB Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Ainda segundo o gabinete de Toffoli, todas as transações foram declaradas à Receita Federal e realizadas “dentro de valor de mercado”, embora os valores não tenham sido divulgados. Interlocutores do caso afirmam que o ministro recebeu dividendos da Maridt enquanto a empresa ainda integrava o grupo responsável pelo resort Tayayá.








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