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Três morrem após procedimento com polilaminina – 12/02/2026 – Equilíbrio e Saúde

Três pessoas que sofreram acidentes graves e receberam aplicações de polilaminina, produto que está em fase de testes de segurança na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), morreram nos últimos dez dias, de acordo com o laboratório Cristália, mantenedor da pesquisa científica e responsável pela produção da substância.

As causas das mortes, de acordo com a empresa, não têm relação com a polilaminina e seriam consequência dos quadros de saúde dos pacientes.

Segundo a Cristália e os pesquisadores da polilaminina, a primeira morte foi registrada no Espírito Santo, em 28 de janeiro, por embolia pulmonar. A segunda, em 1º de fevereiro, no Paraná, por pneumonia, e a terceira, no Rio de Janeiro, na segunda (9), por septicemia.

De acordo com o laboratório, nenhuma das três vítimas havia saído do hospital e todas teriam tido uma série de intercorrências médicas durante a internação. Por acordo de confidencialidade entre a Cristália e as famílias, nenhum dado pessoal dos mortos foi divulgado.

Procurada por meio de sua assessoria de imprensa para comentar as mortes, a Anvisa não se pronunciou até a publicação deste texto.

Especialistas alertam que há riscos ao se submeter a um procedimento ainda em fase de estudos clínicos. Esses riscos são desconhecidos e só vão sendo detectados durante o andamento da pesquisa.

A Cristália e os pesquisadores afirmam que, até agora, com as informações que possuem, não houve registro de efeitos colaterais marcantes. Pessoas com lesões medulares perdem parcial ou totalmente a sensibilidade e a movimentação do corpo, a depender da altura do trauma, e têm o controle de suas atividades fisiológicas comprometido.

Para que haja efetividade nas aplicações da polilaminina, segundo os pesquisadores, os pacientes precisam seguir uma rotina rigorosa de reabilitação, com fisioterapia intensa.

“A literatura nos ensina que estes pacientes são graves e, a depender do nível da lesão, do rigor dos cuidados, das comorbidades e de vários outros fatores, há uma porcentagem de desfechos fatais que pode chegar, em algumas estatísticas, a até 40% de óbitos”, declarou o laboratório por meio de nota.

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio Janeiro) e líder dos estudos sobre a polilaminina, afirmou não ter informações específicas de pessoas que lançam mão do uso compassivo, ou seja, que receberam a substância por meio de ação na Justiça.

“O cenário do uso compassivo não é o ideal, porque não há rigor científico na abordagem dos casos. Não há coleta sistemática dos dados. Vários processos estão sob segredo de Justiça e nem acesso à família se pode ter. Lamento muito o ocorrido”, disse.

Até agora, 37 pessoas conseguiram liminares judiciais para realizar o procedimento de aplicação da substância, diretamente na medula, em um processo cirúrgico. De acordo com a farmacêutica, 19 pessoas já foram atendidas, em pelo menos oito estados.

A maior parte dos pacientes, segundo os pesquisadores, tinha traumas agudos —que ocorreram em cerca de 72 horas antes da aplicação— e lesões completas da medula.

O laboratório não tem cobrado para realizar os procedimentos concedidos na Justiça, que são realizados em hospitais públicos e privados, acompanhados pelos médicos dos respectivos pacientes.

A Folha acompanha a recuperação de 13 pessoas que receberam o produto via judicial desde dezembro do ano passado. Todos relataram algum nível de ganho motor ou de sensibilidade após a aplicação, segundo familiares e pesquisadores da polilaminina. Os três pacientes que morreram não estão entre os 13 com quem a reportagem mantém contato semanalmente. Os outros casos estão em segredo de Justiça ou as famílias pediram que as informações sobre os pacientes não sejam divulgadas à imprensa.

Autor: Folha

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