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Trompetista Diogo Gomes faz show na Blue Note Rio – 16/07/2025 – Música em Letras

O trompetista, arranjador e compositor carioca Diogo Gomes, 34, fará um único espetáculo nesta quarta-feira (16), às 22h30, na Blue Note Rio, mostrando seu rico universo musical.

Não é à toa que o músico tem sido escalado por nomes que são referências da MPB, entre eles, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Xande de Pilares e Martinho da Vila para “canetar”, e muito bem, os belos arranjos de seus shows e discos.

São 18 anos de sólida carreira, nos quais Gomes tem buscado fazer o seu trabalho com o máximo de comprometimento e excelência. “Creio que esses elementos foram determinantes para eu conseguir me tornar uma referência de qualidade no cenário artístico, sendo arranjador de três discos vencedores do Grammy Latino, entre outros frutos”, disse o músico.

Jorge Continentino (sax e flauta), Alberto Continentino (baixo), Danilo Andrade (piano), Hudson Santos (guitarra e violão) e Vitor Vieira (bateria), além das participações especiais de Zé Ibarra (voz) e Lucas Nunes (voz), prometem levar ao público a uma experiência transcendental, por meio do som de um dos melhores trompetistas da atualidade, no show desta quarta-feira.

A verdade é que experiências para tal não faltam a Gomes, que coleciona parcerias nas turnês de Caetano e Bethânia, Jorge Ben Jor, Djavan e Gilsons.

Leia, a seguir, a entrevista exclusiva que Diogo Gomes concedeu ao blog Música em Letras.

Qual o conceito do seu álbum “Transcendental”, lançado em 2022?

“Transcendental” mostra muito o meu universo musical. Foi todo arquitetado por mim de ponta a ponta. Composições, arranjos, performance, estética sonora, produção e direção musical. O conceito do disco é analógico, todo gravado na fita e ao vivo. Como eram feitos os discos antológicos dos anos 50 e 60, nos quais muito me atrai a estética sonora, como por exemplo o “Kind Of Blue”, do Miles [Davis], e o “Paulo Moura Hepteto”, entre outros álbuns brasileiros e internacionais.

O que mudou no som deste álbum em três anos?

Acredito que hoje o álbum ganhou mais maturidade, a presença de novos integrantes da banda no show ao vivo fez a sonoridade ficar mais dinâmica, com novas cores e texturas.

O que o levou à escolha dos integrantes de seu sexteto?

Sem dúvida a admiração musical que tenho por cada um, sei o quanto eles podem agregar à minha música e isso, atrelado a imensa amizade que temos, são os elementos essenciais para alcançar o resultado que busco de maneira leve e natural.

Além de você (trompete e flugelhorn) seu sexteto é formado por Jorge Continentino (sax e flauta), Alberto Continentino (baixo), Danilo Andrade (piano), Hudson Santos (guitarra e violão) e Vitor Vieira (bateria). Quais as principais características musicais de cada um deles?

Todos eles são muito versáteis e essa característica se assemelha à minha: tocar diversos estilos. Alberto tem a magia de, a partir do seu toque, tornar qualquer música mais especial; seu irmão Jorge tem muita atitude na sua performance além de ser um multi-instrumentista incrível. Danilo é um virtuoso do piano e teclados, Hudson mistura a elegância da guitarra jazzística com a música brasileira e Vitor, a altíssima precisão porém com alma.

Como serão as participações especiais de Zé Ibarra e Lucas Nunes no show do dia 16, na Blue Note Rio?

Será incrível, já fazemos música há bastante tempo. Vamos retomar a parceria de sucesso feita no “Bala Desejo”. São dois artistas de muito talento, compositores e cantores de muita profundidade artística, preparamos números bem especiais.

Comente musicalmente três faixas do álbum “Transcendental”.

Todas as composições do disco são minhas, sem parceiros. “Som do Ventre” é a faixa mais especial para mim, dediquei à minha mãe (in memoriam) e dei o título como uma forma de ser um elo eterno entre mães e filhos. Prestando atenção, a canção começa com o som das batidas de coração de um bebê em uma ultrassonografia, que por sinal é do meu filho, Pedro.

“Real Engenho” é uma ode ao bairro em que fui criado e que revelou tantos músicos brasileiros, Realengo, que fica na zona oeste do Rio de Janeiro, e traz esse sabor da malandragem carioca, o samba, da música quente fazendo jus ao calor do bairro.

“Herança” é um agradecimento ao meu mestre musical, meu pai, por todos os ensinamentos passados ao longo da vida. Ele é a participação especial, mostrando que a maior herança deixada é a música, daí vem o título. A exposição da melodia retrata uma conversa de pai e filho, onde eu começo falando com o flugelhorn, depois dou a palavra ao meu pai ao trombone, e volto a discursar no flugel enquanto meu pai faz alguns comentários no trombone. Assim como tantas conversas musicais que sempre tivemos e ainda temos.

Quais foram os desafios para gravar este álbum e como foram superados?

Tive diversos desafios, primeiro que perdi minha mãe durante o processo de gravação. Inclusive o disco é dedicado a ela. Mas passado o luto, gravar um disco ao vivo, na fita, é muito contrastante ao mundo tecnológico que temos atualmente. Lidar com o fato de não poder refazer ou editar um trecho dá uma certa apreensão, pois música não é uma ciência exata. Na hora pode dar tudo certo, como também equívocos podem ocorrer. Mas essa situação de desconforto acabou sendo muito positiva e acabou nos potencializando musicalmente. Outra questão ocorrida foi que na última faixa a ser gravada tinha uma orquestra. Quando finalizei todo o arranjo, arregimentei os músicos e agendei o estúdio para gravarmos, e veio a pandemia. Isso fez mudar a forma de gravação, foi a única sessão que não gravei em fita, e acabou atrasando bastante os processos de pós-produção, mas no final tudo deu certo e o resultado ficou excelente.

Como você enxerga a situação da música instrumental brasileira atualmente e qual a importância do sexteto nesse cenário?

Acho que estamos num ótimo momento, com diversos grupos e eventos desse estilo. Acho que o sexteto tem muita importância na cena cultural, ressaltando a relevância da música brasileira para o mundo.

Por que as pessoas devem ouvir”Transcendental”?

É um disco profundo, com muita alma e nuances. Desperta um desejo no ouvinte de ir além, transcendendo através da música.

O que o show do dia 16, na Blue Note Rio, terá de diferente em relação ao álbum gravado?

Ao longo da minha carreira, eu tive, e tenho, o privilégio de fazer turnês e ser o arranjador de ícones da nossa MPB como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Djavan. A obra desses artistas, com certeza, marcará presença no show porém com um toque transcendental.

Você apresentará esse show em São Paulo? Quando e onde?

Pretendo apresentar na Blue Note São Paulo e em outras casas, mas ainda estou definindo as datas.

Quais são os projetos musicais que você tem para o futuro?

Quero fazer ainda mais apresentações desse show “Transcendental”, ainda este ano. Mas com certeza tem um novo disco vindo aí, já estou compondo, vendo parcerias. Paralelo a isso, tem outro projeto que eu lanço ainda este ano, um EP tributo ao Maestro Cipó, que compõe o meu projeto de mestrado na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro]. E isso também aponta para um outro projeto voltado à essa parte orquestral na minha atuação como arranjador.

SHOW ‘TRANSCENDENTAL’

ARTISTAS Diogo Gomes Sexteto. Com Diogo Gomes (trompete e flugelhorn), Jorge Continentino (sax e flauta), Alberto Continentino (baixo), Danilo Andrade (piano), Hudson Santos (guitarra e violão) e Vitor Vieira (bateria), com participações especiais de Zé Ibarra e Lucas Nunes

QUANDO Quarta-feira (16), 22h30

ONDE Blue Note Rio, Av. Atlântica, 1910, Copacabana, Rio de Janeiro, tel. (21) 96775-2100

QUANTO R$ 120 (inteira), R$ 60 (meia) e ingressos promocionais, com comprovação na hora do evento, conferir no site:

Autor: Folha

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