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Trump critica Leão XIV por comentários sobre guerra no Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou na noite de domingo (12) o papa Leão XIV pelos comentários do sumo pontífice sobre a guerra dos americanos e de Israel contra o Irã, atualmente em cessar-fogo, mas que está em um impasse após não ter havido acordo entre as partes em negociações realizadas no Paquistão no fim de semana.

“Eu não quero um papa que ache aceitável o Irã ter armas nucleares. Eu não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela, um país que enviava quantidades enormes de drogas para os Estados Unidos e, pior ainda, esvaziava suas prisões, incluindo assassinos, traficantes e homicidas, para o nosso país”, escreveu Trump na rede Truth Social.

“E eu não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, com uma vitória esmagadora: estabelecendo índices de criminalidade historicamente baixos e criando o melhor mercado de ações da história”, acrescentou Trump, que alegou que Leão XIV, o primeiro papa nascido nos EUA, só foi escolhido no ano passado para ser sumo pontífice por causa dele.

“Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista de cotados para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano e eles acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, argumentou.

Nesse trecho, o republicano cometeu uma imprecisão: embora fosse considerado um azarão, o cardeal americano Robert Prevost apareceu em algumas análises como tendo chances de ser escolhido antes do conclave de 2025.

“Leão deveria se recompor como papa, usar o bom senso, parar de ceder à esquerda radical e se concentrar em ser um grande papa, não um político. Isso está prejudicando-o muito e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica!”, concluiu Trump na postagem.

Pouco depois, o presidente americano postou na sua rede social uma imagem dele vestido como Jesus Cristo.

Durante a missa do Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, há duas semanas, Leão XIV fez comentários que foram interpretados como uma resposta ao secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, que dias antes havia afirmado que pediu a Deus para que “quebre a vara do opressor” e “quebre os dentes dos ímpios” na guerra contra o Irã.

“Este é o nosso Deus: Jesus, rei da paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, disse o papa. “Ele não ouve as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita.”

Leão XIV também citou uma passagem bíblica: “Ainda que multipliquem as suas orações, eu não as ouvirei, porque as suas mãos estão cheias de sangue”. Depois, o pontífice fez outros apelos pela paz no Oriente Médio.

A respeito da Venezuela, em 4 de janeiro, um dia após a captura do então ditador venezuelano Nicolás Maduro em uma operação dos EUA, o papa pediu que não houvesse uma escalada militar na região.

“Não devemos demorar a superar a violência e a trilhar caminhos de justiça e paz, garantindo ao mesmo tempo a soberania do país”, disse na Praça de São Pedro.

Após o post de Trump neste domingo, Leão XIV disse que não entrará “em debates”. “O que digo não é uma crítica a ninguém”, declarou à imprensa no avião papal, segundo informações da emissora CNN. “Convido todas as pessoas a buscarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, de evitar a guerra sempre que possível.”

“Não tenho medo do governo Trump, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão, a missão da Igreja. Não somos políticos, não lidamos com política externa da mesma perspectiva que ele. Mas acredito na mensagem do Evangelho, como um pacificador”, acrescentou o papa.

Na semana passada, a Casa Branca negou o teor de reportagens dos sites Free Press e The Daily Beast afirmando que Washington teria “ameaçado” o Vaticano devido aos comentários de Leão XIV sobre a guerra.

“Isso é 100% mentira, fake news. Os repórteres que escreveram isso deveriam retratar-se imediatamente, e os ‘influenciadores’ que acreditaram deveriam apagar seus tweets”, escreveu no X a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Autor: Gazeta do Povo

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