
Um comentário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que os aliados americanos na Otan pouco ajudaram na guerra do Afeganistão (2001-2021), está gerando reações em outros países da aliança militar do Ocidente.
Trump tem manifestado ceticismo a respeito da possibilidade de outros integrantes da Otan ajudarem os Estados Unidos em caso de agressão militar contra o país, o que tem utilizado como justificativa para seus planos de anexar a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês que o republicano diz ser essencial para a defesa nacional americana.
“Eu sempre falo: ‘Eles nos ajudarão, se precisarmos deles?’ E esse é realmente o teste final. E eu não tenho certeza disso. Sei que nós os ajudaríamos, mas eles nos ajudariam?”, disse Trump na quinta-feira (22), em entrevista à emissora Fox News.
“Nunca precisamos deles. Nunca realmente pedimos nada a eles. Sabe, eles dizem que enviaram algumas tropas para o Afeganistão, ou isso ou aquilo. E enviaram mesmo – ficaram um pouco para trás, um pouco afastados da linha de frente”, ironizou.
A guerra no Afeganistão foi a única vez na história em que foi invocado o Artigo 5º da Otan, que prevê que qualquer agressão a um país da aliança é considerada uma agressão contra o grupo inteiro: após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos, outras nações da Otan ajudaram as forças americanas no país asiático.
Mais de 3,5 mil militares da coalizão que combateu a Al-Qaeda morreram na guerra, cerca de 2,4 mil deles americanos. Outros países da Otan também tiveram grande número de militares mortos, entre eles o Reino Unido (457), o Canadá (158) e a França (90).
Nesta sexta-feira (23), o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que Trump deveria pedir desculpas pela declaração.
“Não me surpreende que [a entrevista] tenha causado tanto sofrimento aos entes queridos daqueles que foram mortos ou feridos”, disse Starmer, segundo informações da CNN. “Se eu tivesse me expressado mal dessa forma ou dito essas palavras, certamente me desculparia.”
Em entrevista à agência Reuters, Roman Polko, general polonês da reserva e ex-comandante que serviu no Afeganistão e no Iraque, também cobrou um pedido de desculpas, ao dizer que Trump “cruzou uma linha vermelha”.
“Pagamos com sangue por esta aliança. Sacrificamos verdadeiramente nossas próprias vidas”, afirmou.
Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa polonês, escreveu no X que o Exército do seu país participou de missões no Afeganistão e no Iraque, entre outras, e que a Polônia “é e sempre será uma aliada responsável e confiável”.
“Os momentos trágicos em que nossos soldados morreram demonstraram que estamos dispostos a pagar o preço máximo em defesa da segurança internacional e da segurança da Polônia. Esse sacrifício jamais será esquecido e não pode ser minimizado. A Polônia é uma aliada confiável e comprovada, e nada mudará isso”, afirmou Kosiniak-Kamysz.
Autor: Gazeta do Povo







