O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) que concederá indulto ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, que cumpre pena de 45 anos em uma prisão americana por tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Ao fazer a declaração, em linha com a postura intervencionista que o governo americano vem adotando na América Latina, Trump reiterou seu apoio ao candidato Nasry Asfura, do conservador Partido Nacional (PN). “Se ele não vencer, os EUA não vão desperdiçar dinheiro”, afirmou o republicano.
Na quarta-feira (26), o americano já havia se manifestado sobre a acirrada disputa na América Central, afirmando que pode trabalhar com Asfura para combater o narcotráfico. “Espero que o povo de Honduras vote por Liberdade e Democracia e eleja Tito Asfura como presidente!”, disse ele na sua plataforma.
Os hondurenhos vão às urnas no próximo domingo (30) para votar em uma eleição cujos resultados são imprevisíveis —as pesquisas mostrando Asfura, ex-prefeito da capital, Tegucigalpa, praticamente empatado com a ex-ministra da Defesa Rixi Moncada, do partido governista de esquerda Libre, e com o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do Partido Liberal, de centro.
A nação é governada desde 2021 pela presidente de esquerda Xiomara Castro, que estabeleceu laços estreitos com Cuba e Venezuela. Ambos os países estão mergulhados em profundas crises econômicas e de direitos humanos e são regidos por líderes de esquerda que o governo Trump busca combater.
Em sua publicação, o republicano afirmou que o candidato do partido governista, Moncada, é comunista, e Nasralla é um “comunista de fachada” que está concorrendo para tirar votos de Asfura. Nenhum dos candidatos se identifica dessa forma.
“Será que Maduro e seus narcoterroristas vão dominar outro país como fizeram com Cuba, Nicarágua e Venezuela?”, questionou Trump em sua publicação, afirmando que Asfura lutaria contra o ditador venezuelano. Os EUA acusam Nicolás Maduro de ter ligações com o narcotráfico e com grupos criminosos, o que o líder nega.
O partido de Asfura estabeleceu uma estreita parceria com Washington sob o governo do ex-presidente Hernández, que governou de 2014 a 2022. O político, preso logo após deixar o cargo, cumpre pena de 45 anos de prisão nos EUA.
O candidato que obtiver maioria simples no domingo governará o país entre 2026 e 2030. Alguns analistas políticos temem que mais de um candidato possa reivindicar a vitória, dada a proximidade da disputa. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e o Departamento de Estado americano manifestaram preocupação com o processo eleitoral em Honduras e afirmaram estar monitorando-o de perto.




