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Unidades de conservação do Brasil participam de exposição na Alemanha

A biodiversidade de dois parques nacionais brasileiros está em destaque na exposição Tesouros Verdes do Brasil – Diversidade Tropical sob a Proteção dos Parques Nacionais, no Centro de Visitantes do Parque Nacional da Floresta Negra (Nationalpark Schwarzwald), na Alemanha. A programação começou em 19 de março, e a expectativa é que se estenda por mais seis meses.

Imagens e expressões artísticas representam na Europa o Parque Nacional do Itatiaia, no Sudeste, e o Parque Nacional do Pico da Neblina, no Norte, aumentando a visibilidade dessas unidades de conservação no cenário internacional e o diálogo entre dois diferentes biomas brasileiros com o público de fora do país ─ a Mata Atlântica e a Amazônia. 

A mostra também é uma oportunidade de firmar acordos para o desenvolvimento de ações conjuntas entre os dois países.

Para o chefe do Parque Nacional do Pico da Neblina, Cassiano Augusto Ferreira Rodrigues Gatto, os governos do Brasil e da Alemanha têm um apreço grande pela cooperação baseada em relações diplomáticas e conversas de alto nível, o que facilita a aproximação entre os parques nacionais dos dois lados do Atlântico.

Além do apoio direto às iniciativas realizadas pela unidade de conservação, o chefe do Parque Nacional do Pico da Neblina espera fortalecer a parceria em temas como o desenvolvimento de atividades de pesquisa e do turismo de base comunitária envolvendo comunidades indígenas, como os Yanomami, cujas terras reconhecidas representam metade da área da unidade de conservação. Além deles, há mais três territórios indígenas de etnias diferentes na região.

“A gente tem que trabalhar com as comunidades que moram lá. Isso nos faz atuar com outras instituições, como a Funai e o Departamento de Saúde Indígena. Tudo o que a gente faz lá é baseado em acordos com comunidades e parcerias com outras instituições”, afirmou.

 


FOTO DE ARQUIVO - Exposição do Pico da Neblina. Foto: Parque Nacional da Floresta Negra da Alemanha/Divulgação
FOTO DE ARQUIVO - Exposição do Pico da Neblina. Foto: Parque Nacional da Floresta Negra da Alemanha/Divulgação

Exposição do Parque Nacional do Pico da Neblina na Alemanha. Foto: Parque Nacional da Floresta Negra da Alemanha/Divulgação

Parcerias em pesquisa

Gatto ressaltou que o Parque da Floresta Negra, na Alemanha, é uma referência em pesquisa. Ele comparou que, em uma área de 10 mil hectares, o parque alemão tem 500 estações de monitoramento de biodiversidade, enquanto, no Pico da Neblina, não há nenhuma, em uma extensão de 2,3 milhões de hectares.

“A gente quer trazer essa expertise e esse apoio técnico-financeiro para dentro do parque, para começar o monitoramento de fauna e flora e de animais ameaçados”, informou.

Cassiano Gatto adiantou que, por meio do acordo de cooperação firmado pelo ICMBio e o Parque Nacional da Floresta Negra, podem ser estabelecidos também protocolos para o desenvolvimento de pesquisas que levem em consideração o desejo das populações locais de participar das discussões sobre o monitoramento do território e o resgate do conhecimento tradicional. O chefe do parque nacional acrescentou que a parceria tem potencial de ensinar os alemães a trabalhar com comunidades tradicionais e seus saberes.

Para o chefe do Parque Nacional do Itatiaia, Felipe Mendonça, a participação na exposição representa o fortalecimento da atuação internacional das unidades de conservação e o reconhecimento das ações desenvolvidas junto à comunidade local, principalmente na educação ambiental e nas iniciativas de inclusão.

“A gente entende que esse diálogo entre países só fortalece mais a nossa gestão do parque e do ICMBio, como um todo, com a troca de experiências. Tem muitas coisas que a gente tem a aprender com eles, e muitas outras que eles têm que aprender com a gente. A gente está muito feliz com a exposição”, contou em entrevista à Agência Brasil.

“Estão falando das florestas brasileiras através do Itatiaia e do Pico da Neblina. Para nós é uma honra. A gente quer que muitas agendas saiam deste acordo”.

COP30

A exposição resulta de uma parceria internacional entre Brasil e Alemanha, fechada durante a COP30, que ocorreu em novembro de 2025, em Belém, no Pará. A intenção é promover o intercâmbio de experiências em gestão de áreas protegidas e práticas sustentáveis.

A exposição alerta também para a importância das florestas na regulação do clima global. Felipe Mendonça destacou a importância de mitigar impactos causados pelas mudanças climáticas e os desequilíbrios ambientais.

No caso dos alemães, ele cita que a quantidade de dias de neve na Alemanha está diminuindo e uma espécie de besouro nativo tem causado estragos nas florestas do país. Além disso, os focos de incêndio são uma questão relevante para o parque da Alemanha.

“A gente tem um know how de manejo integrado do fogo aqui no Brasil. Temos muito a ensinar não só para eles como para outros países”.

“Ao mesmo tempo, eles têm muito a nos ensinar no monitoramento ambiental”, reconheceu, adiantando que já estão previstas videoconferências, no primeiro momento, para a troca de informações sobre monitoramento ambiental e o manejo integrado do fogo.

Participação de crianças

Entre as peças que fazem parte da mostra, o Parque Nacional do Itatiaia levou desenhos de crianças da rede de ensino público do entorno da unidade de conservação que participam do programa de visitação escolar. Os trabalhos demonstram, de forma sensível, as suas vivências e percepções sobre a natureza e a biodiversidade local.

A exposição tem ainda trabalhos desenvolvidos por jovens e adultos com deficiência intelectual que frequentam a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). O chefe do Parque, Felipe Mendonça disse que a presença desse público evidencia o compromisso do Parque com a inclusão, a acessibilidade e a democratização do acesso às experiências em áreas naturais.

“O próximo passo seria eles fazerem isso também com as crianças alemãs para a gente expor aqui no nosso centro de visitante e no Pico da Neblina também”.

 


FOTO DE ARQUIVO - Exposição do Pico da Neblina. Foto: Parque Nacional da Floresta Negra da Alemanha/Divulgação
FOTO DE ARQUIVO - Exposição do Pico da Neblina. Foto: Parque Nacional da Floresta Negra da Alemanha/Divulgação

Desenhos infantis sobre o Parque Nacional do Pico da Neblina Foto: Parque Nacional da Floresta Negra da Alemanha/Divulgação

Na visão de Felipe Mendonça, a inclusão das crianças e jovens nesta questão apresenta desde cedo na vida deles a necessidade de preservar o meio ambiente.

“O Parque Nacional do Itatiaia tem um histórico bastante longo de educação ambiental, recepcionando escolas e universidades. É o parque mais pesquisado no Brasil e o de maior número de autorizações de pesquisas no Brasil. A educação vem por aí. A gente recebe por ano mais de 19 mil alunos do ensino fundamental e médio”, relatou.

O Parque do Pico da Neblina levou para a mostra trabalhos com crianças da etnia Yanomami.

Parques

Criado em 1937, Itatiaia é considerado o primeiro Parque Nacional do Brasil. Está localizado na Serra da Mantiqueira na região dos municípios de Itatiaia e Resende, no Rio de Janeiro, além de Bocaina de Minas e Itamonte, no estado de Minas Gerais. Entre os atrativos está o Pico das Agulhas Negras.

Já o Pico da Neblina foi criado em 1979. Espalhado em uma área de 2.252.616 hectares nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, tem no seu território o pico mais alto do Brasil (3.014 metros), o que deu origem ao seu nome.

O Parque Nacional da Floresta Negra, em Ruhestein, no estado de Baden-Württemberg, teve a sua área reconhecida em 2014 e representa um símbolo de conservação e vida ao ar livre na Alemanha. Foi o primeiro parque nacional do estado, criado para garantir a continuidade de ecossistemas únicos com espécies raras da fauna e da flora. A unidade de conservação alemã reúne preservação ambiental com turismo sustentável.

Autor: Agência Brasil

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