Durante visita às obras do futuro campus da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) em Foz do Iguaçu (PR), nesta terça-feira (20), a reitora Diana Araújo contestou publicamente a nota 2 atribuída ao curso de Medicina da instituição no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação, divulgada pelo Ministério da Educação um dia antes, coloca o curso entre os três com desempenho insatisfatório no Paraná e pode resultar em redução de vagas e bloqueio de programas federais.
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A contestação da reitora da Unila sobre a avaliação do curso de Medicina aconteceu diante do ministro da Educação, Camilo Santana, que estava na região para vistoriar as obras do campus Arandu, futura sede da universidade, que está sendo construído em área da Itaipu Binacional. A universidade protocolou pedido de revisão junto ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), argumentando que podem ter ocorrido inconsistências no cálculo das notas.
O Enamed, criado pelo MEC e aplicado pelo Inep, avalia a formação médica em escala de 1 a 5. Notas 1 e 2 são consideradas abaixo do desempenho mínimo satisfatório. Dos 21 cursos de Medicina avaliados no Paraná, seis alcançaram nota máxima (5), enquanto três ficaram com conceito 2.

Cursos com conceito 2 podem ter redução no número de vagas para novos ingressos
Em todo o país, cerca de 30% dos 351 cursos avaliados ficaram nessa faixa baixa, resultado que tem mobilizado autoridades educacionais e gerado debate na sociedade. Cursos com conceito 2 podem ter redução no número de vagas para novos ingressos e enfrentar restrições como suspensão do acesso a programas federais de financiamento estudantil, como o Fies. Instituições com conceito 1 podem ter a entrada de novos estudantes totalmente suspensa. Antes dessas medidas, o MEC concede prazo para defesa administrativa.
Na visita a Foz do Iguaçu, Santana foi enfático ao defender o rigor do exame. “Não se justifica que uma universidade federal não oferte um curso de qualidade para a formação médica. Quem tira nota 1 ou 2 não poderá ampliar vagas, algumas terão redução de até 50% ou 25%, e haverá bloqueios em programas federais”, afirmou ele, em cerimônia com a participação da reitora da Unila.
O ministro descreveu o Enamed como ferramenta de diagnóstico e regulação, afirmando que o objetivo não é punir, mas estimular a melhoria da qualidade dos cursos. Em resposta, a reitora Diana Araújo disse que queria fazer um esclarecimento e acrescentou que o resultado divulgado ainda não é considerado definitivo pela instituição. Segundo ela, a própria Unila foi informada pelo Inep sobre possíveis irregularidades no processamento dos resultados.
“Acreditamos que esse resultado é ainda parcial. Já enviamos o pedido de revisão técnica porque identificamos pontos que podem ter sido computados incorretamente. Pela nossa análise interna, a tendência é que o curso alcance conceito 3, nota mínima considerada satisfatória”, afirmou.
A reitora apontou ainda fatores estruturais que podem ter influenciado o desempenho do curso de Medicina da Unila, como a ausência de hospital universitário próprio, elemento que pesa significativamente na formação prática de estudantes do curso. A criação de um hospital universitário é prioridade para a instituição, e alternativas estão sendo avaliadas, incluindo parcerias com entidades locais e regionais.
A reitora enfatizou que a Unila apresentará sua defesa no prazo concedido, evitando antecipar conclusões sobre sanções enquanto o processo de revisão não é concluído.
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Autor: Gazeta do Povo







