Iniciativa busca entender motivos da evasão estudantil e criar ações de permanência na universidade
Após o trabalho conjunto de várias pró-reitorias da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ao longo de um ano, foi lançado o Observatório de Dados de Evasão e Baixa Procura na tarde desta quinta-feira (5), em evento realizado no Auditório do Prédio de Administração, no Centro Politécnico. O projeto atuará como um dos braços da Comissão de Combate à Evasão e Baixa Procura.
Além de ser uma ferramenta que identificará padrões a partir de dados, a iniciativa também pretende contribuir para que, além do trabalho de combate à evasão estudantil, haja uma ação de prevenção estruturada. A ação faz parte de um dos eixos da Comissão de Combate à Evasão e Baixa Procura, vinculada à Coordenadoria de Estatística e Ciência de Dados (Cecd), da Pró-Reitoria de Planejamento e Dados (Proplad).
Atualmente, a evasão estudantil na UFPR está em torno de 17%, de acordo com números apresentados durante o lançamento. Trata-se de um problema nacional, combinado com a baixa procura em alguns cursos de graduação.
A pró-reitora de Graduação e Educação Profissional da UFPR, professora Andréa Caldas, lembra que a evasão “faz com que o recurso público que seja investido na universidade acabe não tendo a efetividade que poderia ter. Quando a gente cria essa comissão, a gente quer dizer que isso não é normal, não podemos achar que a evasão e a baixa procura são uma questão que é assim mesmo, sempre foi assim”, conclui.
Para o reitor da UFPR, professor Marcos Sunye, a criação do Observatório é um primeiro passo no processo de enfrentamento da evasão estudantil. “O combate à evasão é um dos principais objetivos da nossa gestão e a gente sabe que não é um desafio fácil de ser enfrentado. A construção e apresentação desse observatório é só a primeira fase, que vai nos levar a uma compreensão desse problema”.
Por sua vez, o coordenador da iniciativa, o estatístico Lineu Alberto Cavazani de Freitas, afirmou que é preciso interpretar os números e ir além deles, lembrando que se tratam de estudantes que podem precisar de apoio para concluir seus cursos.
“Mais do que a evasão ser um número, uma série de valores, um dado numa planilha, a evasão pode ser entendida como a interrupção de um sonho, então nós precisamos ter essas ferramentas de combate a evasão dentro da universidade. Entender as causas é o primeiro passo para estratégias eficazes de retenção”, ressalta.
Já o pró-reitor de Planejamento e Dados, Luiz Carlos Erpen de Bona, disse ser necessário entender o contexto universitário como um todo para que se possa compreender a evasão dos estudantes. “Para falar sobre evasão, precisamos de um panorama maior [acerca do que acontece na Universidade]. Então o objetivo da gente criar essa unidade foi esse”.

Entenda o funcionamento do Observatório de Dados de Evasão e Baixa Procura
Nos trabalhos do observatório, pesquisas iniciais apontaram fatores principais de atenção, como dificuldades financeiras, carga horária excessiva e inflexibilidade curricular, relatadas pelos alunos. Também foi observado o desconhecimento, de maneira geral, dos estudantes sobre os auxílios estudantis, além da presença de burocracia excessiva nos processos.
A partir dos dados levantados e dos apontamentos iniciais dos estudos, foram definidos seis eixos estratégicos de atuação. São eles: Observatório de Dados; Acompanhamento de trajetória acadêmica; Flexibilização curricular; Aprimoramento de auxílios e bolsas; Fortalecimento da permanência; e Integração e pertencimento.
Para orientar a implementação desses eixos, a atuação do observatório se baseia em quatro pilares que sustentam os trabalhos: monitoramento, predição, pesquisas e divulgação. Os dados coletados serão compartilhados com transparência, com o intuito de que o sistema de coleta possa ser utilizado por outras instituições de ensino superior.
Na fase atual dos trabalhos, após um ano de atividades prévias ao lançamento do Observatório, outras produções da Comissão de Combate à Evasão e Baixa Procura já estão disponíveis para a comunidade. Conheça mais clicando no link .
Entre elas estão ferramentas como o painel interativo, com monitoramento em tempo real dos dados para gestores, além de uma calculadora de risco de evasão disponível no sistema Siga. Também já está disponível o delineamento das pesquisas que servirão de base para futuras políticas de permanência. Reunindo essas informações, há ainda uma página web que contém todos os dados para acesso público sobre o observatório e seus métodos de trabalho.
Autor: Agencia Paraná









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