A segunda edição do Prêmio Mulheres e Ciência (PMC) reconheceu a atuação da professora Rita de Cássia dos Anjos, do Departamento de Engenharias e Exatas (DEE) do Setor Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A astrofísica especialista em raios cósmicos e raios gama foi premiada na área das Ciências Exatas e da Terra, e Engenharias, na categoria Estímulo – pela contribuição prestada para o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação no Brasil.
Rita de Cássia possui graduação em Física Biológica, mestrado e doutorado em Física e pós-doutorado em Astrofísica na Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics. A docente tem atuação notável em projetos internacionais como o do Observatório Pierre Auger, na Argentina, e o Cherenkov Telescope Array (CTA), telescópios que estão sendo construídos no Chile e nas Ilhas Canárias, na Espanha, que estudarão os raios gama que chegam até a Terra para analisar eventos extremos do universo.
Nos últimos cinco anos, o trabalho da pesquisadora vem sendo constantemente reconhecido em prêmios da Sociedade Brasileira de Física, Academia Brasileira de Ciências, do International Centre for Theoretical Physics, entre outros.
A professora da Federal deseja usar essa visibilidade para fortalecer a ciência brasileira e abrir caminhos para outras mulheres, especialmente em áreas onde ainda são minoria. Sente gratidão, responsabilidade e alegria, e entende que, no conjunto, esses sentimentos representam um “sim” para a ciência feita com rigor, colaboração e propósito. “Gratidão porque nenhuma trajetória é individual. Responsabilidade porque cada reconhecimento amplia minha voz. E alegria porque essas premiações sinalizam que é possível conciliar pesquisa de fronteira com impacto social, como a formação de pessoas e o trabalho de acessibilidade no ensino de Física”, afirma.
Além de ser uma importante cientista mulher, Rita é uma cientista negra que conquistou visibilidade no campo científico, apesar dos obstáculos impostos pelo racismo estrutural no Brasil.
A atuação da astrofísica também ganhou evidência em uma ação do Projeto de Extensão Universitária “Meninas e Mulheres nas Ciências”, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPR. O livro de passatempos “Cientistas Negras: Brasileiras – Volume 1” aborda a trajetória e o protagonismo de cientistas negras brasileiras.
Como tudo começou
O que a motivou a ingressar na profissão foi a curiosidade profunda de entender o Universo e o mundo das ciências. Uma vontade de ir além do “como” e chegar no “por quê” dos fenômenos. “A Física me conquistou porque transforma perguntas grandes em problemas que a gente pode investigar com método, matemática e criatividade”, compartilha.
Para seguir nesse caminho, o que a move é a compreensão de que a pesquisa tem duas potências ao mesmo tempo: amplia o que a humanidade sabe sobre o cosmos e, ao mesmo tempo, forma pessoas.
“Ver estudantes mulheres ganhando autonomia, publicando, apresentando resultados e se sentindo pertencentes à ciência é uma das maiores recompensas”, celebra a docente.
Ela também continua a empenhar-se no trabalho que faz porque acredita que o conhecimento precisa ser acessível. Rita faz questão de trabalhar com materiais inclusivos para pessoas com deficiência visual, para que a ciência não seja um espaço restrito.
Professora Rita de Cássia dos Anjos em evento acadêmico. Fotos: arquivo pessoal.
2º Prêmio Mulheres e Ciência
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) promove a premiação em parceria com o Ministério das Mulheres, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe e o British Council Brasil.
Ao todo, foram 684 inscrições em quatro categorias: incentivo, estímulo, trajetória e mérito institucional. A iniciativa visa encorajar jovens mulheres, valorizar instituições comprometidas com a promoção da igualdade de gênero na ciência e tecnologia e reconhecer pesquisadoras em diferentes estágios da carreira científica.
A categoria Estímulo, na qual Rita foi premiada, reconhece pesquisadoras em fase de consolidação e expansão da carreira, momento em que estruturam linhas de pesquisa, formam equipes, orientam estudantes e ampliam colaborações.
“Parte da minha atuação é criar oportunidade, seja na pesquisa, seja em iniciativas de inclusão e acessibilidade, para que mais pessoas se vejam capazes de fazer ciência e tenham condições reais de permanecer nela”, conclui.
Confira a lista das vencedoras, divulgada no dia 26 de fevereiro no portal do CNPq. A cerimônia de premiação ocorrerá em março, em Brasília.
Leia mais sobre a trajetória da professora Rita.
Autor: Agencia Paraná









.gif)












