sexta-feira, março 6, 2026
14.8 C
Pinhais

Urbanização no Brasil avança sobre áreas de crise hídrica – 06/03/2026 – Cotidiano

O crescimento das cidades brasileiras nas últimas quatro décadas está em descompasso com a disponibilidade de água em um quarto do território nacional, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) pela rede de pesquisadores MapBiomas.

Entre 1985 e 2024, o Brasil expandiu sua mancha urbana sobre 670 mil hectares de áreas naturais, sendo que 25% desse total avançou sobre zonas classificadas com segurança hídrica crítica.

Esse fenômeno afeta diretamente 1.325 municípios e é particularmente severo no Nordeste, onde estados como Alagoas, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe viram mais de 70% de seu crescimento urbano ocorrer nessas áreas de vulnerabilidade.

De acordo com Julio Pedrassoli, professor de cartografia da USP e coordenador do MapBiomas, essa realidade não é apenas um risco futuro, mas uma crise instalada que já provoca escassez para consumo humano em grandes metrópoles, como São Paulo. “Os dados mostram que em grande parte do país a falta d’água não é uma questão sazonal”, afirma.

A definição de risco hídrico segue parâmetros da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e não considera somente a falta de chuva, mas a combinação de disponibilidade do recurso e capacidade de atendimento à demanda. Quando a demanda supera 40% da disponibilidade, o trecho é considerado em situação crítica.

O município do Rio de Janeiro destaca-se como o local com o maior crescimento absoluto em condições mínimas de segurança hídrica, somando 7,6 mil hectares de nova urbanização em áreas críticas —o equivalente a 11 mil campos de futebol.

O caso do Rio exemplifica como a expansão desordenada sobre áreas de encosta e vegetação nativa compromete a capacidade natural de produção de água, o que agrava conflitos pelo uso da água, seja para consumo humano, industrial ou rural, segundo Pedrassoli.

Esse avanço sobre áreas naturais descaracteriza o ecossistema responsável por filtrar e fornecer a água, criando um ciclo de escassez que atinge tanto as populações vulneráveis quanto o funcionamento das cidades como um todo, segundo o pesquisador.

A dinâmica das ocupações informais desempenha um papel central nesse cenário de insegurança.
Enquanto a região metropolitana de São Paulo detém a maior área absoluta de favelas, com 11,8 mil hectares, as metrópoles de Manaus e Belém apresentam proporções alarmantes, onde as favelas já representam mais de um terço de toda a área urbanizada.

Brasília, por sua vez, registrou as expansões de favelas mais aceleradas das últimas quatro décadas.

As comunidades de Sol Nascente e 26 de Setembro lideram o ranking nacional em extensão, e o crescimento conjunto das quatro maiores favelas do Distrito Federal superou a expansão urbana de 95% de todos os municípios brasileiros no período.

Essa pressão territorial sobre áreas ambientalmente restritivas é impulsionada por uma combinação de fatores socioeconômicos, alta demanda hídrica e regimes de chuvas escassos.

No Rio Grande do Norte, a favela Jardim Progresso exemplifica essa urgência ao ser a ocupação que mais se expandiu sobre áreas de mínima e baixa segurança hídrica no país.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Quem é o Tofu? Conheça o personagem secreto de Resident Evil Requiem

Resident Evil Requiem já está disponível para PC e...

LeBron bate recorde e se lesiona na derrota dos Lakers para os Nuggets

Em um confronto decisivo pela Conferência Oeste na noite...

Vazamento de sigilo de Lulinha gera reação da defesa

Dados da quebra de sigilo bancário e fiscal de...

IAT alerta para golpe do emprego falso em nome do órgão ambiental

O Instituto Água e Terra (IAT), autarquia vinculada à...

juros altos exigem gestão eficiente

Responsável por cerca de 30% do PIB brasileiro, o...

A crise que cresce dentro do Supremo

Durante anos, qualquer crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF)...

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas