Usar joelheira pode ser eficaz contra a dor e a limitação funcional em pessoas com osteoartrite do joelho, uma condição crônica degenerativa que provoca a destruição progressiva da articulação. A conclusão é de um ensaio clínico publicado em janeiro no BMJ que avaliou se a inclusão de joelheiras personalizadas ao tratamento padrão da doença traria benefícios adicionais aos pacientes.
Segundo os autores, os maiores ganhos com uso da joelheira foram redução da dor e melhora de atividades do dia a dia, como caminhar, subir escadas e permanecer em pé, especialmente entre quem conseguiu usá-la com mais regularidade. O estudo acompanhou 466 adultos com 45 anos ou mais, diagnosticados com osteoartrite e atendidos pelo sistema público de saúde do Reino Unido (NHS).
Todos os participantes receberam orientações sobre a doença, aconselhamento para o autocuidado e um plano de exercícios. Metade deles também passou a usar uma joelheira escolhida conforme o tipo e a localização do desgaste no joelho, com acompanhamento de fisioterapeutas e mensagens de texto para estimular a adesão ao uso.
Após seis meses, os participantes que utilizaram joelheira relataram menos dor, melhor função física e melhor qualidade de vida em comparação aos que seguiram apenas as orientações e fizeram os exercícios. Ao final de 12 meses, os efeitos positivos ainda estavam presentes, mas foram menores.
Para a reumatologista Isabella Monteiro, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, a joelheira não é uma solução isolada, mas pode funcionar como um complemento útil em alguns casos. “O estudo mostrou que, quando bem indicada e bem utilizada, ela realmente ajuda. Os maiores benefícios aparecem justamente naquilo que mais incomoda o paciente no dia a dia, como caminhar e subir escadas”, analisa.
Em geral, o tratamento da osteoartrite nessa região se baseia em medicações e medidas ligadas ao estilo de vida, como prática de atividade física, fortalecimento muscular, controle do peso e acompanhamento próximo junto a um médico reumatologista.
O termo osteoartrite é sinônimo de osteoartrose, artrose ou doença articular degenerativa. No conjunto das doenças agrupadas sob a designação de “reumatismos”, é a mais frequente e afeta cerca de um a cada cinco adultos acima dos 45 anos. Mulheres após a menopausa, pessoas com sobrepeso ou obesidade e quem já sofreu traumas no joelho estão entre os grupos mais afetados. O diagnóstico é feito principalmente pela história clínica e pelo exame físico. “A radiografia pode ajudar, mas não determina sozinha a gravidade dos sintomas”, observa Monteiro.
Devo usar joelheira?
O estudo conclui que nem todo paciente se beneficia da mesma forma do uso de joelheira e os ganhos observados tendem a diminuir. “Isso é esperado, porque a osteoartrite é uma doença que evolui ao longo do tempo”, explica a reumatologista. O acessório costuma ajudar mais quem sente dor ao caminhar, tem sensação de instabilidade no joelho ou apresenta artrose leve a moderada. Por isso, em casos muito avançados, o efeito tende a ser menor.
É importante ficar atento na hora de comprar o item, porque existem diferentes modelos e cada um tem uma função específica. Alguns são indicados para dor na parte da frente do joelho, quando o problema está relacionado à região da patela; outros são usados nos casos de artrose localizada no lado interno ou externo da articulação, ajudando a redistribuir a carga. Já as joelheiras estabilizadoras oferecem mais firmeza quando há sensação de instabilidade ou insegurança ao caminhar. “A avaliação individual é fundamental”, frisa Isabella Monteiro.
Em relação à segurança, o estudo não identificou eventos adversos graves. O efeito colateral mais comum foi irritação ou vermelhidão na pele, geralmente leve. Ainda assim, a adesão ao uso da joelheira diminuiu ao longo do tempo. Entre os principais motivos estavam desconforto ou sensação excessiva de calor, dificuldade para colocar e retirar o acessório, tamanho inadequado e falta de orientação sobre como ajustar e utilizar corretamente no dia a dia. “A orientação faz diferença. Quanto melhor for o ajuste e o uso correto, melhores tendem a ser os resultados”, destaca a médica do Einstein em Goiânia.
Mesmo com benefícios discretos, os autores do estudo avaliam que a joelheira pode ser uma alternativa de baixo risco em um plano de tratamento individualizado, sempre como complemento e não substituição de estratégias como exercícios físicos e, quando indicados, medicamentos. “Ela funciona como um apoio adicional em um tratamento que precisa ser combinado e mantido ao longo do tempo”, conclui Monteiro.
Autor: Folha




















