Tomar paracetamol, conhecido como Tylenol, durante a gravidez é seguro, afirmou um grupo de pesquisadores europeus. Eles compilaram dados em resposta às alegações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre uma suposta ligação da medicamento com casos de autismo no ano passado.
Em uma revisão publicada na revista britânica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, a equipe disse que se concentrou em reunir as evidências de melhor qualidade para abordar as alegações. Um estudo anterior publicado na revista britânica BMJ já havia apontado que não há vínculo entre o consumo de paracetamol durante a gravidez e o surgimento de autismo em crianças.
“O paracetamol é seguro para uso na gravidez”, diz a autora principal Asma Khalil, professora de obstetrícia e medicina fetal materna na City St George’s, Universidade de Londres.
“A mensagem principal é de tranquilidade: quando usado conforme recomendado, as melhores evidências disponíveis não apoiam uma ligação causal com autismo, TDAH (transtorno de déficit de atenção/hiperatividade) ou deficiência intelectual.”
Khalil afirma ter sido questionada sobre o medicamento popular para dor –também conhecido como acetaminofeno– por suas pacientes depois que Trump, em setembro, disse às mulheres grávidas para não tomá-lo. Na época, grupos médicos nacionais e internacionais condenaram os comentários do presidente, afirmando que não eram baseados em evidências.
O paracetamol/Tylenol é o único analgésico considerado seguro para gestantes, e os médicos já as aconselham a usar a menor quantidade pelo menor tempo possível para controlar a dor e a febre durante a gravidez. Sem tratamento, essas condições podem ser arriscadas tanto para as gestantes quanto para seus bebês.
Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de dados existentes, encontrando 43 estudos que foram então avaliados quanto à qualidade e viés usando uma ferramenta padrão.
A equipe concentrou-se particularmente em estudos que analisaram crianças nascidas da mesma mãe que tomou paracetamol durante uma gravidez, mas não durante outra. Esses estudos levam em consideração fatores genéticos compartilhados e ambientes familiares que poderiam estar ligados ao autismo ou às outras condições estudadas, diz Khalil.
Havia apenas três estudos desse tipo, mas eram grandes, abrangendo mais de 260 mil crianças avaliadas para autismo, e cerca de 335 mil e 405 mil para TDAH e deficiências intelectuais, respectivamente.
Eles não mostraram nenhuma ligação significativa entre o uso do medicamento e qualquer uma das condições estudadas. Isso permaneceu o caso quando os resultados de todos os estudos de alta qualidade avaliados foram agrupados, disseram os autores.
Khalil disse que grande parte do trabalho que mostrava uma ligação potencial, incluindo uma revisão de 46 estudos citados por funcionários de Trump, era propensa a viés ou a fatores de confusão que a revisão de sua equipe tentou considerar.
Grainne McAlonan, professora de Neurociência Translacional no King’s College London, que não esteve envolvida na pesquisa, elogiou o estudo. “Espero que as descobertas desse estudo encerrem o assunto.”
Autor: Folha





