O Vaticano ordenou nesta quinta-feira (12) que um grupo católico ultratradicionalista volte atrás na decisão de ordenar novos bispos por conta própria. O ato, anunciado na semana passada, foi interpretado como um gesto de desafio à Santa Sé e desencadeou uma crise.
A Fraternidade São Pio 10, fundada pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991) e com sede na Suíça, afirmou no último dia 2 que ordenaria novos bispos em 1º de julho. Ao justificar a decisão, o reverendo italiano Davide Pagliarani disse que havia solicitado uma audiência com o papa Leão 14 e que, recentemente, havia recebido uma resposta considerada insatisfatória.
Na Igreja Católica, a nomeação de bispos é uma prerrogativa do papa, e ordenações episcopais sem autorização da Santa Sé são consideradas ilícitas e podem levar a sanções canônicas.
Os seguidores do grupo conservador são chamados de lefebvristas. Nesta quinta, representantes da Fraternidade se reuniram com o cardeal Víctor Manuel Fernández, chefe do Dicastério para a Doutrina da Fé.
Em um comunicado publicado após a reunião, o cardeal disse que a indicação sem o aval do papa “implicaria uma ruptura decisiva na comunidade eclesial [cisma], com graves consequências para a fraternidade como um todo”.
“A possibilidade de continuar o diálogo iniciado hoje pressupõe que a Fraternidade suspenda sua decisão sobre as ordenações episcopais anunciadas”, acrescentou o comunicado. O Vaticano disse que Pagliarani concordou em apresentar os pontos discutidos ao conselho do grupo e que dará retorno à Santa Sé.
Fundada em 1970, a Fraternidade São Pio 10 defende, entre outros pontos, a missa tridentina, celebrada em latim por um sacerdote de costas para os fiéis. O rito sofreu restrições no pontificado de Francisco.
Autor: Folha




















