Os Estados Unidos já atingiram mais de 3 mil alvos na guerra que travam ao lado de Israel contra o regime do Irã desde o último sábado (28), segundo dados divulgados na sexta-feira (6) pelo Pentágono e pelo Comando Central americano (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio.
A ofensiva em curso, batizada pelos EUA de “Fúria Épica”, já mobilizou bombardeiros estratégicos, caças de 5ª geração, mísseis balísticos recém-incorporados ao arsenal americano, drones de ataque – incluindo drones kamikazes –, sistemas antimísseis e dois porta-aviões nucleares. De acordo com as autoridades americanas, o objetivo da operação em curso é desmantelar a estrutura militar iraniana e neutralizar futuras ameaças consideradas iminentes.
O que já foi usado pelos EUA no atual conflito
Segundo o Centcom, a campanha aérea em curso contra o Irã envolve três tipos de bombardeiros de longo alcance: o B-2, B-1 e B-52.
- B-2 Spirit: um bombardeiro furtivo (stealth), projetado para penetrar sistemas avançados de defesa aérea sem ser detectado por radar. Ele é usado para atacar alvos estratégicos de alto valor, como centros de comando e instalações fortificadas.
- B-1 Lancer: um bombardeiro supersônico capaz de transportar grande quantidade de munições convencionais, sendo empregado em ataques de grande escala.
- B-52 Stratofortress: um modelo de bombardeiro mais antigo que está sendo utilizado para lançar bombas pesadas e mísseis de cruzeiro a longa distância.
Caças de combate de última geração
De acordo com o Pentágono, cerca de 200 caças participam da operação no Oriente Médio, entre os modelos empregados no conflito estão o F-15, F-16, F-18, F-22, F-35 e A-10.
Os modelos F-22 Raptor e o F-35 Lightning II que estão sendo utilizados na guerra, são aeronaves de 5ª geração equipadas com tecnologia furtiva e sensores avançados. O F-22 é voltado principalmente para superioridade aérea, ou seja, eliminar aviões inimigos. Já o F-35 combina combate aéreo com ataques de precisão contra alvos em solo.
Por sua vez, o F-15 e o F-16 são caças multifuncionais, capazes de realizar tanto missões de combate aéreo quanto bombardeios. O F/A-18, operado a partir de porta-aviões, decola e pousa no próprio navio e realiza ataques e patrulhas a partir do mar. Já o A-10 Thunderbolt II é especializado em apoio aéreo aproximado, projetado para destruir veículos blindados e posições terrestres.

Míssil balístico de curto alcance
O almirante Brad Cooper, chefe do Centcom, confirmou nesta semana uso do Precision Strike Missile (PrSM) na guerra contra o Irã, classificando-o como “um marco histórico”. O PrSM é um míssil balístico de curto alcance lançado a partir do sistema HIMARS (High Mobility Artillery Rocket System), um lançador de mísseis móvel montado sobre um caminhão que é utilizado pelo Exército americano.
Fabricado pela Lockheed Martin, o PrSM pode atingir alvos a centenas de quilômetros de distância com alta precisão. Ele segue trajetória balística, subindo rapidamente e descendo em alta velocidade até o alvo.

Drones LUCAS
Fazendo sua estreia neste conflito contra o Irã, o LUCAS (Low-Cost Unmanned Combat Attack System) é um drone de ataque de baixo custo, estimado em cerca de US$ 35 mil por unidade, segundo autoridades americanas.
De acordo com o Centcom, o modelo foi desenvolvido com base no drone iraniano Shahed.
“Pegamos o design original, melhoramos e usamos contra eles [o regime islâmico]”, afirmou o almirante Cooper em vídeo divulgado pelo comando militar.
O LUCAS é classificado como um drone de ataque de uso único — também conhecido como “kamikaze”. Ele é lançado em direção ao alvo já carregado com explosivos e se destrói no momento do impacto. Por ter custo relativamente baixo, pode ser empregado em maior número para atingir radares, lançadores de mísseis e outras posições estratégicas.

Mísseis Tomahawk
Destróieres da Marinha dos EUA lançaram contra o Irã os famosos mísseis de cruzeiro Tomahawk, armamentos de longo alcance disparados a partir de navios. Eles voam a baixa altitude, guiados por sistemas de navegação, e são utilizados para atingir alvos estratégicos com precisão.
Imagens divulgadas nesta semana indicam que uma possível versão atualizada do Tomahawk pode estar sendo testada no conflito contra o Irã. Analistas militares disseram à imprensa americana que essa versão atualizada pode ter melhorias no sistema de navegação e maior capacidade de manobra, além de possível revestimento para reduzir a detecção por radar.
O Comando Central dos EUA não confirmou se se trata de um novo modelo, alegando razões de segurança operacional.

Torpedo Mark 48
Segundo o presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, o submarino americano que afundou um navio de guerra iraniano utilizou um torpedo Mark 48 durante a operação.
O Mark 48 é um torpedo pesado, lançado a partir de submarinos, projetado para destruir navios de grande porte e submarinos inimigos. Ele se desloca debaixo da água em alta velocidade, guiado por sensores que detectam o calor e o ruído da embarcação alvo.
Trata-se de um dos principais armamentos da Marinha dos Estados Unidos para guerra naval. Segundo Caine, o ataque representou a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, que um torpedo americano foi usado para afundar um navio inimigo em combate.

Sistemas antimísseis
Na área defensiva, os EUA posicionaram os sistemas antimísseis Patriot e THAAD. O Patriot intercepta mísseis de curto e médio alcance. Já o THAAD (Terminal High Altitude Area Defense) é projetado para destruir mísseis balísticos em altitude elevada, antes que atinjam o solo.
Segundo o Departamento de Guerra dos EUA, esses sistemas foram mobilizados para proteger bases e tropas americanas no Oriente Médio das retaliações iranianas.
Guerra eletrônica, vigilância e apoio
Além dos sistemas de ataque e defesa, os Estados Unidos estão empregando uma ampla estrutura de inteligência, monitoramento e apoio operacional na guerra contra o Irã,
Para isso, os americanos mobilizaram embarcações, aeronaves e drones especializados que garantem vigilância constante, coleta de informações e coordenação das operações no ar e no mar. Até o momento já foram utilizadas as seguintes opções:
- MQ-9 Reaper: drone de grande porte capaz de permanecer longos períodos sobre uma área. É utilizado para vigilância, identificação de alvos e ataques de precisão com mísseis guiados.
- EA-18G Growler: aeronave dedicada à guerra eletrônica. Sua função é interferir em radares, sistemas de defesa aérea e comunicações inimigas, reduzindo a capacidade de reação do adversário.
- RC-135: avião de reconhecimento especializado na coleta de inteligência eletrônica. Ele capta sinais de radar, transmissões de rádio e comunicações militares para mapear a atividade do inimigo.
- P-8 Poseidon: aeronave de patrulha marítima usada para monitorar embarcações e submarinos, além de acompanhar movimentações navais na região.
- AWACS (Airborne Warning and Control System): aeronaves equipadas com grandes radares rotativos no topo da fuselagem. Funcionam como centros de comando aéreo, coordenando caças e bombardeiros, identificando ameaças e organizando o espaço aéreo em tempo real.
Também estão no Oriente Médio dois porta-aviões nucleares – o USS Gerald R. Ford e o USS Abraham Lincoln – que sustentam as operações aéreas, permitindo lançamento contínuo de aeronaves.

O que ainda pode ser usado
Bombas de gravidade guiadas
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os EUA podem utilizar no conflito em curso as bombas de gravidade guiadas por GPS e laser, de 500, 1.000 e 2.000 libras.
Bombas de gravidade são lançadas por aviões e caem até o alvo usando apenas a força da gravidade – não têm motor, como os mísseis.
Nos modelos atuais, elas recebem sistemas de guiagem por GPS ou laser, o que permite corrigir a trajetória durante a queda e atingir o alvo com maior precisão.
Segundo Hegseth, os Estados Unidos possuem “estoque praticamente ilimitado” desse tipo de munição. Elas são mais utilizadas quando há superioridade aérea, pois exigem que a aeronave se aproxime mais do alvo. Nesta semana, os EUA disseram que estão praticamente controlando o espaço aéreo do Irã.
Uso de inteligência artificial
Conforme reportagem do Wall Street Journal, o Pentágono vem utilizando ferramentas de inteligência artificial (IA) para análise de dados, logística, simulação de cenários e identificação de alvos no conflito contra o Irã.
Na prática, esses sistemas de IA processam grandes volumes de informações captadas por satélites, drones e radares, ajudando militares a identificar padrões, priorizar ameaças e acelerar decisões operacionais. A tecnologia também é empregada para organizar o deslocamento de tropas, munições e equipamentos, tornando a cadeia logística mais rápida e eficiente.
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, a inteligência artificial não substitui o comando humano, mas funciona como ferramenta de apoio à tomada de decisão. O Departamento de Guerra não detalha quais sistemas específicos estão sendo usados, alegando razões de segurança operacional.
A discussão ocorre em meio a um embate paralelo entre o governo do presidente Trump e a empresa de inteligência artificial Anthropic, responsável pela IA Claude.
O impasse começou após o Departamento de Guerra determinar que contratos de tecnologia com o governo deveriam permitir o uso dos sistemas de IA para qualquer finalidade considerada legal, sem restrições prévias. A Anthropic, por sua vez, manteve salvaguardas que impedem que seu modelo de IA seja usado para vigilância em massa de cidadãos americanos ou para controle de armas totalmente autônomas letais.
Diante da recusa da empresa em retirar essas limitações, Trump determinou a suspensão do uso da tecnologia da Anthropic pelo governo federal. A Imprensa americana cita que, mesmo após este veto, a IA Claude foi utilizada na operação em curso contra o Irã.
“Capacidades não divulgadas”
Em comunicado oficial, o Centcom afirmou nesta semana que, além das armas citadas, os EUA estão utilizando neste conflito diversas outras armas com “capacidades especiais que não podem ser listadas”, indicando que o arsenal divulgado publicamente pode não representar a totalidade dos recursos disponíveis para a guerra.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)











