O vice-presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB) e presidente do clube St. Pauli, Oke Göttlich, defendeu publicamente, em uma entrevista ao jornal alemão “Hamburger Morgenpost”, que “chegou o momento” para um possível boicote à Copa do Mundo de 2026.
O ato deveria, segundo o dirigente, ser uma reação às recentes ações e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre compra da Groenlândia e aplicação de novas tarifas a países europeus.
O Mundial será disputado entre junho e julho no território norte-americano, além de Canadá e México, mas a maior parte das partidas acontecerá nos EUA. Dos 104 jogos previstos, 78 estão programados para cidades nos EUA.
Para Göttlich, o debate sobre o abandono à competição deveria estar em pauta. “Eu realmente me pergunto quando chegará o momento de pensar e falar concretamente sobre isso. Para mim, esse momento definitivamente chegou”.

Tem história
Göttlich citou o boicote liderado pelos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, após a invasão do Afeganistão pela antiga União Soviética como um exemplo. “Quais foram as justificativas para os boicotes aos Jogos Olímpicos na década de 1980? Na minha opinião, a ameaça potencial hoje é maior do que naquela época. Precisamos ter essa discussão”, disse.
O dirigente também relembrou a polêmica envolvendo a Alemanha e a Fifa na Copa do Mundo de 2022, no Catar, quando a entidade máxima do futebol proibiu o uso da braçadeira “OneLove”, símbolo de diversidade e inclusão, sob ameaça de punições esportivas. Na época, os jogadores alemães protestaram ao tapar a boca na foto oficial antes da estreia contra o Japão.
“O Catar era político demais para todos e agora somos completamente apolíticos? Isso realmente me incomoda. Como organizações e como sociedade, estamos nos esquecendo de estabelecer limites e de defender valores. Tabus são parte essencial disso. Quando eles são ultrapassados? Quando há ameaças? Quando há ataques? Quando pessoas morrem?”, questionou o vice-presidente da Federação.
Ao “Hamburger Morgenpost”, o cartola alfinetou demais envolvidos. “Gostaria de saber de Donald Trump qual é o seu limite. E também de Bernd Neuendorf, presidente da Federação Alemã de Futebol, e de Gianni Infantino, presidente da Fifa”, concluiu.
Taxas e Groenlândia
A posição contra a competição ganhou força após Trump fazer uma série de alegações sobre a compra da Groenlândia, território administrado pela Dinamarca, e cogitar a imposição de tarifas a oito países da Europa, entre eles a Alemanha, que se opuseram ao plano.
Enquanto isso, outras federações adotam cautela. O governo francês declarou que, por ora, não apoia um boicote, e a Federação Dinamarquesa de Futebol afirmou estar “ciente da delicada situação atual”. A Dinamarca, inclusive, ainda busca vaga no Mundial por meio da repescagem.
Fifa fica no futebol
A Fifa, porém, não se manifesta sobre as questões geopolíticas. Durante a cerimônia de sorteio dos grupos, em dezembro de 2025, o presidente da instituição entregou o “Prêmio da Paz” a Donald Trump. Infantino também tem procurado destacar a procura recorde por ingressos da Copa.
Autor: CNN Brasil










