A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos em enfermagem suspeitos de participação em três homicídios ocorridos no Hospital Anchieta, em Taguatinga. As vítimas tinham 75, 63 e 33 anos e morreram enquanto estavam internadas na UTI da unidade.
Duas prisões ocorreram no último dia 12, e a terceira, no dia 15. A investigação aponta que os pacientes teriam morrido após a aplicação irregular de medicamentos e até de desinfetante na veia. A motivação dos crimes ainda é investigada.
Um dos presos, identificado como Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, é apontado como o principal suspeito. Ele foi localizado em um apartamento, como mostram as imagens da Polícia Civil. Foram também presas Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa. A reportagem ainda tenta localizar a defesa dos três.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o homem, que tem 24 anos, inicialmente negou envolvimento nas mortes, mas acabou confessando o crime depois de ser confrontado com imagens das câmeras internas do hospital.
De acordo com o delegado, o medicamento usado, quando administrado fora dos protocolos médicos, pode causar parada cardíaca em poucos minutos.
Segundo Salomão, o técnico acessou o sistema hospitalar deixado aberto, se passando por médico para prescrever o medicamento. Ele foi à farmácia buscá-lo, preparou a dose, a escondeu no jaleco e injetou na veia dos pacientes.
O criminoso esperava a reação fatal e, para disfarçar, realizava massagem cardíaca, simulando uma tentativa de reanimação na presença da equipe, acrescentou Salomão.
O delegado disse que, após aplicar quatro doses do medicamento em uma das vítimas, o suspeito teria injetado desinfetante na veia da paciente.
“Em um dos casos, o medicamento acabou —ele [o técnico suspeito] injetou cerca de quatro vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”, afirmou o delegado em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.
As vítimas são a professora Miranilde Pereira da Silva, 75, que morreu em 17 de novembro de 2025; o carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, morto no dia 1º de dezembro; e o servidor da Caesb-DF (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) João Clemente Pereira, 63.
Segundo o advogado Vagner de Paula, que representa a família de Marcos, não havia, até a última semana, suspeita alguma de que o carteiro poderia ter sido vítima de assassinato.
“A família o enterrou achando que era pancreatite aguda, depois soubemos que ele foi assassinado, era uma morte possivelmente inevitável”, disse.
Ainda segundo o delegado, houve conivência de duas técnicas de enfermagem que estavam presentes no momento das aplicações. Uma delas teria auxiliado o suspeito na busca do medicamento na farmácia.
Uma das técnicas tem 28 anos e histórico de trabalho em outros hospitais. A outra tem 22 anos e estava em seu primeiro emprego. Elas também foram presas.
Segundo a polícia, as imagens das câmeras de segurança mostram as duas nos quartos das vítimas observando o procedimento e vigiando a porta para impedir a entrada de terceiros.
O Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal) afirma que tomou conhecimento do caso pela imprensa, afirmou estar acompanhando a situação e disse que adotará as medidas cabíveis dentro de suas atribuições.
Segundo Leandro Oliveira, diretor da divisão de perícias internas, a investigação trabalha com cerca de 20 laudos e pretende reconstruir uma linha do tempo extensa para identificar possíveis outras vítimas.
Autor: Folha







